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"A primeira reação foi telefonar à Agência Lusa" -- Ramos-Horta

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou que há 20 anos, quando recebeu a informação que decorria um massacre em Santa Cruz, em Díli, se sentiu "impotente" e que a primeira reação foi telefonar à Agência Lusa.


José Ramos-Horta recorda-se que, no dia 12 de novembro de 1991, estava em Lisboa e preparava-se para ir a Paris a convite de Danielle Mitterrand, mulher do então Presidente francês, François Mitterrand.


"Preparava-me para seguir para Paris quando recebi um telefonema de madrugada em Lisboa, vindo de alguém em Díli, que estavam a massacrar, que decorria um massacre em Santa Cruz", contou à Agência Lusa.


José Ramos-Horta disse também que eram cerca das duas da manhã em Lisboa e se sentiu "completamente impotente para fazer seja o que for".


"A quem vou telefonar? Ao Presidente americano? Não tenho o telefone dele, nem do Presidente português'. A primeira reação foi telefonar à Lusa em Lisboa e a partir daí alertaram-se todos os média internacionais. Multiplicámo-nos em atividades e o Governo português tomou a questão de Timor como questão número um da política externa", afirmou.


Segundo José Ramos-Horta, nesse dia reuniu-se com o antigo chefe da diplomacia portuguesa, João de Deus Pinheiro, "que disse perentoriamente 'esta vai ser a questão prioritária portuguesa" e foi assim até 1999/2000".


O chefe de Estado timorense disse também que quem sacudiu a consciência mundial foram os jornalistas internacionais que estavam no cemitério de Santa Cruz, nomeadamente o britânico Max Stahl.


"Lembro-me de dizer ao Adelino Gomes numa entrevista ao Público em 1991: 'Não permitirei que o mundo volte a dormir'. Foram as minhas palavras e foi o que aconteceu. Em 1999 deu-se o referendo e Timor-Leste hoje é livre", concluiu.

14 de Novembro de 2011


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