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Liurai-Oan Ki’ik

21 de Setembro de 2010, 18:54

Uma das obras mais traduzidas do mundo chega finalmente a Timor – Leste. Com a tradução a cargo do Português João Paulo Esperança, o “Le Petit Prince” era aguardado com enorme expectativa no seio da comunidade timorense. O lançamento oficial foi no passado Domingo, 19 de Setembro, no encerramento da Feira Do Livro.

67 anos depois do seu lançamento, o original de Antoine de Saint-Exupéry veio a conhecer a versão em Tétum. E se em 1943 Timor ainda vivia momentos conturbados por causa da ocupação japonesa durante a II Guerra Mundial, este projecto de tradução iniciou-se ainda o país estava a renascer das cinzas fruto dos acontecimentos de 1999. «Quando cheguei a Timor em 2001, havia muita pouca gente a falar português», começa João Paulo Esperança por explicar toda a génese por detrás do Liurai-Oan Ki´ik. «Por isso decidi traduzi-lo por iniciativa própria. Comecei com uma amiga, a Triana Corte-Real de Oliveira, entretanto ela foi estudar para a Indonésia e o projecto ficou parado», continua.

Apesar deste contratempo, uma nova colega (Emilia Almeida de Araújo) surgiu para o retomar dos trabalhos. A SUL-Associação de Cooperação para o Desenvolvimento ficou encarregue de publicar o livro e também na procura de apoios junto da Fundação Mário Soares, e de alguns municípios portugueses como a Câmara Municipal Oliveira de Azeméis, a Câmara Municipal do Seixal e a Câmara Municipal de Sines, «que desde o inicio se prontificaram a dar apoio», sublinha o tradutor. A Timor Aid, uma ONG timorense, pioneira na publicação de livros em tétum, também fez parte de todo este processo de distribuição, bem como a Cooperação Francesa.

Processo de tradução

Tradutor nas Nações Unidas e envolvido com a cultura timorense há mais de 20 anos, João Paulo Esperança, natural de Ílhavo, chegou pela primeira vez a Timor-Leste em 2001, para dar aulas de português e de linguistica do português e do tétum na UNTL (Universidade Nacional Timor Leste). Relativamente à tradução do “Principezinho ” surgiu o dilema de «naturalizar a estória com elementos locais ou manté-la próxima do original. Optaram “timorizá-la”. O animal raposa, em Timor, é entendido como “lacu”, mas é na realidade um animal diferente», exemplifica. Fez-se igualmente uso constante do texto original em francês mais as soluções de tradução de três versões diferentes publicadas por editoras portuguesas, e às vezes com uma tradução em inglês.

Todo este processo demorou cinco anos a ser concluido e a 1ª edição já está esgotada. A 2ª edição está ainda a caminho [NR: supostamente os livros já deveriam ter chegado, mas o lançamento oficial do “Liurai-Oan Ki’ik” não contou com a presença da estrela principal, leia-se o próprio livro] «e caso queiram adquiri-lo, têm que se dirigir à Timor Aid», sugere o ilhavense.

O “Principezinho” em teatro

Antes da apresentação do livro houve ainda tempo para a encenação de uma peça de teatro, inspirada no “Liurai-Oan Ki’ik”, apresentada pelo Grupo de Teatro Infantil do Centro Juvenil Padre António Vieira e dirigida por Carolina Rodrigues.


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