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Os efeitos do 5 de Outubro de 1910 em Timor

05 de Outubro de 2010, 17:14

Hoje poderia ser mais um dia normal, mas não é. A implementação da República em Portugal teve efeitos nefastos que se reflectiram em Timor. A Guerra de Manufahi teve a sua quota de responsabilidade, assim como a expulsão das ordens religiosas. Em 1910 Timor passa a província ultramarina e nada voltou a ser como antes.

O movimento revolucionário português de 5 de Outubro de 1910 deu-se na sequência da acção doutrinária e política que, desde a criação em 1876 do Partido Republicano Português (PRP) se foi desenvolvendo, com o objetivo de derrubar o regime monárquico. O ideal republicano era o de uma comunidade de cidadãos independentes a viver de acordo com as leis e não dependente do arbítrio de outros homens, mesmo que tivessem um rei, como a Grã-Bretanha.

A Igreja e o fim da Monarquia

No dia 6 de Outubro de 1910, o Diário do Governo anunciava: "Ao Povo Português — Constituição do Governo Provisório da República — Hoje, 5 de Outubro de 1910, às onze horas da manhã, foi proclamada a República de Portugal na sala nobre dos Paços do Município de Lisboa, depois de terminado o movimento da Revolução Nacional.”

A Igreja Católica ressentiu-se bastante com as medidas tomadas pelo Governo Provisório. Entre estas destacam-se a expulsão da Companhia de Jesus e das ordens do clero regular, o encerramento dos conventos, a proibição do ensino religioso nas escolas, a abolição do juramento religioso nas cerimónias civis e a laicização do Estado com a separação entre a Igreja e o Estado.

Guerra de Manufahi 1887 - 1912

Com a instauração da República em Portugal, numerosos religiosos são expulsos de Timor – Leste. Consequentemente levou ao encerramento da maioria das escolas e é lhe atribuido o estatudo de provincia ultramarina.


No entanto, anos antes, a revolta da população contra o dominio colonial português desencadeou a Guerra de Manufahi (1887 – 1912), inicialmente liderada por D. Duarte pai de D. Boaventura, que depois tomou o comando da luta como liurai de Same. Este mesmo matou o então Governador Capitão-tenente Alfredo de Lacerda Maia entre outros governadores administradores locais portugueses. O motivo desta acção prendeu-se com um ajuste de contas porque Alfredo de Lacerda violou a mulher do liurai de Same, durante uma visita a Dili.

Outra das consequências da proclamação da República em 1910 foi a anexação, por parte da Holanda, dos enclaves portugueses que restavam em Timor Oeste, restando apenas Oecussi. A situação foi mal aceite pelos régulos de Timor, já muito castigados pelas campanhas militares do Governador Celestino de Silva (1894-1908) e humilhados pela sua legislação.

Os próprios holandeses aproveitaram a Guerra de Manufahi para beneficio próprio, mas sem sucesso, em parte devido à actuação dos Leais Moradores de Manatuto, um corpo de voluntários favoráveis aos portugueses.


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