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Ângela Freitas dá o antídoto para os males de Timor-Leste

16 de Janeiro de 2012, 12:58

Médica e assistente na área dos direitos humanos para os refugiados, são apenas alguns dos rótulos colocados a Ângela Freitas. A próxima marca poderá ser como presidente de Timor-Leste, diz o The Australian.

Ângela Freitas, presidente do Partido Trabalhista, anunciou sua candidatura na semana passada e o actual Presidente, José Ramos-Horta só irá comunicar a sua decisão no próximo mês, não obstante o facto de a sua popularidade estar a decresecer entre a populaçao local.

Um de seus maiores obstáculos é a falta de apoio do primeiro-ministro Xanana Gusmão e do seu partido CNRT, ao contrario do que se sucedera nas últimas eleições presidenciais. Desta vez o CNRT irá apoiar o antigo chefe das forças armadas Taur Matan Ruak. A elevada taxa de desemprego( 85%) e a corrupção no seio governamental são dois dos maiores problemas apontados por Ângela Freitas.

"O nepotismo e a corrupção são visíveis no governo, é um cancro da sociedade timorense. Isto deveria ser considerado como crime capital,” disse. ” Há cinco ministros sob investigação por causa da corrupção, mas até agora nenhum deles foi chamado a tribunal por causa das eleições que aí se avizinham,” continua.

Freitas descreve Xanana Gusmão como um fracasso. "Ele permitiu que a corrupção se instalasse no seio do governo e concedeu contratos de arroz que envolviam centenas de milhares de dólares para seu próprio proveito e também da família. Xanana não soube controlar os seus ministros e permitiu que os mesmos abusassem dos rendimentos do próprio país.”

O presidente Ramos-Horta também não escapa às acusações: Durante 10 anos ele assistiu ao aumento do desemprego, ao decsréscimo do nível de vida e à corrupção no governo. Ramos-Horta está muito ocupado com questões de foro internacional e não prestou atenção suficiente ao que se passava em Timor-Leste. " Ms Freitas diz que parte do problema da corrupção deriva do facto do serviço público ser substituído a cada cinco anos, com a mudança do governo.

"Precisamos de um serviço público permanente, que não mude de acordo com o governo, um serviço público que não seja controlada por políticos corruptos.” E dá o exemplo do edificio situado mesmo ao lado do Parlamento, onde familias vivem em condições miseráveis, sem electricidade ou água potável.

"Essas pessoas vivem em pobreza mesmo debaixo do nariz do governo, tudo por culpa da corrupção e nepotismo e o resultado está à vista, as pessoas literalmente morrem de fome nas ruas," acusa. Como muitos outros timorenses, Ângela Freitas sofreu na pele o domínio do exército indonésio .

De acordo com o The Australian, em 2001, foi enviada para um estabelecimento prisional exclusivamente masculino, juntamente com os seus três filhos ( um deles ainda com poucos meses de vida), por alegadamente ter morto um cidadão australiano.

Ângela nunca foi chamada para responder ao suposto crime e a vítima não foi encontrada. Duas semanas depois foi libertada. Na década de 1990, fugiu para a Austrália como refugiada e obteve uma licenciatura em Ciências Políticas e Meedicina pela Universidade de Queensland.

Em termos profissionais, trabalhou no hospital de Brisbane depois de ter sido destacada pela Marinha Australiana para desempenhar as funções de médica e intérprete a bordo de um navio de patrulha naval, para a intercepção de barcos com refugiados.

Ainda na Austrália, esteve envolvida em actividades de aconselhamento nas áreas dos estupefacientes e alcoolismo.

Em 1988, trabalhou como oficial de ligação do Instituto de Direitos Humanos, na Indonésia, e um ano depois foi Secretária-Geral dos direitos humanos para a Amnistia Internacional. Ângela Freitas está no parlamento timorense desde 2000.

SAPO TL com The Australian

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