Página gerada às 03:23h, quarta-feira 22 de Agosto

L-7 acusa Estado de ter violado a lei

10 de Agosto de 2015, 17:08

Cornélio Gama, conhecido como L-7, irmão do ex-comandante da resistência timorense Mauk Moruk, morto em confrontos com as forças de segurança no sábado, acusou hoje as autoridades timorenses de terem violado a lei e assassinado o seu irmão.

EPA@ António Dasiparu
Em declarações à Lusa, L-7 exigiu ainda o cadáver de Mauk Moruk, que está desde a noite de sábado na morgue do Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), afirmando que a morte do seu irmão foi "um ajuste de contas" antigo.

"Queremos que nos entreguem o cadáver do Mauk Moruk. Não vamos reagir, mas queremos levar o cadáver para Laga (a sul de Baucau)", disse em Díli.

"O Estado não respeita o povo. Matou Mauk Moruk que estava desarmado. Recusou dialogar e agora tem que assumir responsabilidade por isto. Sempre defendemos e procurámos o diálogo", disse.

Líder do movimento conhecido como Sagrada Família, L-7 acusou o Estado de "não respeitar o povo" e de ter morto Mauk Moruk "que estava desarmado" - informação que contradiz a versão das forças de segurança, que dizem terem sido alvejadas por disparos.

"O Estado agiu contra a lei, contra a constituição. Cometeu crimes de violência contra o povo. As forças conjuntas atacaram, deu porrada e bateu ao povo. A democracia é ter que respeitar o povo", afirmou.

L-7 visou diretamente três ex-comandantes da resistência timorense, Xanana Gusmão (atual ministro do Planeamento), Lere Anan Timur (comandante das forças armadas) e Taur Matan Ruak (Presidente da República).

"Xanana, Taur, Lere, acabaram com a vida do irmão. Eles vieram todos do mato, mas foram eles que acabaram com a vida do meu irmão. Antes comiam mandioca juntos, mas agora matam-no", refere.

L-7 reiterou assim comentários anteriores argumentando que a morte foi o desfecho de um "ódio" mútuo entre Xanana Gusmão e o seu irmão "que se arrasta desde 1985"-

"Foi uma vingança que dura desde 1985 até agora, um conflito entre Mauk Moruk e Xanana. Um ódio que não se revolveu até agora. Com esse ódio, o Xanana matou o meu irmão", disse.

Mauk Moruk é considerado pelos principais líderes timorenses como um traidor, tendo-se entregado às forças de ocupação indonésias que posteriormente viria a apoiar contra a resistência.

Nos últimos anos da ocupação indonésia Mauk Moruk viveu na Holanda tendo regressado nos últimos anos a Timor-Leste onde encabeçou o Conselho da Revolução Maubere (CRM), tecendo duras críticas ao Governo timorense.

Alvo de mandado de captura do Tribunal de Díli, Mauk Moruk foi responsável, segundo o Governo, por liderar vários ataques contra as forças de segurança timorenses, incluindo um ataque ao posto de polícia em Baguia e à equipa de segurança do presidente do Parlamento Nacional.

Ângela Freitas, líder do Partido Trabalhista de Timor-Leste e que nas últimas semanas se apresentou como porta-voz de Mauk Moruk, insistiu hoje na culpabilização do Governo, considerando que o executivo rejeitou o diálogo.

"A família e o representante do Muak Moruk, tentámos muitas vezes chegar ao diálogo. Mas o Governo não tomou iniciativas para resolver isto por meios de diálogo.

Encontrámo-nos com o PR, que tinha boa vontade para procurar um caminho para uma solução pacífica, mas por outro lado o Governo não concordou com isso", disse.

"Sentimos profundamente a morte do comandante. Uma morte que tem que ser conhecida em todo o mundo. Eles mataram o comandante em vez de o capturar. Dispararam rajadas e mataram-no", disse.

Questionado sobre as acusações contra Mauk Moruk, Ângela Freitas disse que se trata de "uma história longa" e que chegou a altura de a liderança timorense se sentar para contar a verdadeira história de Timor-Leste.

"É tempo da liderança poder encontrar meios, pacificamente, para uma mesa redonda e falar totalmente da história de Timor-Leste. Não tivemos só uma ou duas pessoas heróis de Timor-Leste", afirmou.

"A história foi toda distorcida pelo comandante Xanana Gusmão. É tempo da liderança se sentar com cabeça fria e informar bem ao povo quem é quem. Não é só Xanana, não é só Lere, não é só Taur", afirmou.

@Lusa

Comentários

Critério de publicação de comentários