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Novo partido timorense PLP quer "combater mitos" e dar voz aos jovens

14 de Dezembro de 2015, 15:31

Combater "mitos" sobre a dependência de Timor-Leste na geração mais velha de líderes e ocupar o espaço dos jovens, nascidos no final ou depois do fim da ocupação indonésia, são alguns dos objetivos de um novo partido timorense.

@Tiago Franco

Registado na semana passada no Tribunal de Recurso, o Partido de Libertação do Povo (PLP) é liderado interinamente por Adérito Soares, ex-comissário da Comissão Anti-Corrupção (CAC) que está atualmente na Austrália a completar um doutoramento.

"Queremos criar outro tipo de democracia, que não se decida por um ou dois líderes, mas que seja um esforço coletivo. Queremos fazer algo diferente em Díli. O maior desafio do processo em Timor-Leste tem sido que tudo é decidido por uma ou duas figuras", disse à Lusa Adérito Soares.

O PLP é apontado há vários meses como o partido que poderia, no futuro, apoiar uma candidatura a primeiro-ministro do atual chefe de Estado, Taur Matan Ruak.

Em entrevista à Lusa em novembro, Taur Matan Ruak confirmou que não se vai recandidatar a um segundo mandato em 2017 mas não exclui uma possível candidatura como primeiro-ministro, afirmando que quer continuar a servir o país.

Sobre a possibilidade de Taur Matan Ruak ser o futuro líder do PLP, o atual presidente interino do partido prefere não tecer comentários, explicando apenas que em 2016 estão previstos vários congressos distritais e que, possivelmente no final do ano, decorrerá o congresso nacional que elegerá a nova liderança.

Até lá, há equipas no terreno a desenvolver as ideias que formarão parte do programa do partido e, ao mesmo tempo, a contactar militantes, disse.

"Quando chegarmos ao congresso no próximo ano, estaremos bem documentados com documentos preparados para analisar todos os aspetos e com uma ligação forte à base", acrescentou.

Adérito Soares, que espera concluir o doutoramento sobre a relação entre direitos humanos e desenvolvimento em março ou abril de 2016, explica que o seu mandato é, para já, preparar o congresso e continuar a trabalhar com a equipa fundadora do partido.

"Temos um grande grupo de jovens, intelectuais, educados com estudos em Portugal, América, Austrália, Cuba e que estão no terreno num processo muito interessante de analisar tudo, deste os planos estratégicos de desenvolvimento ao orçamento, passando por análises setoriais detalhadas", explicou.

O líder do PLP considera importante "desafiar o mito da geração mais velha", dizendo que não é correto pensar que se líderes como Xanana Gusmão ou Mari Alkatiri morrerem "o país colapsa".

"Temos uma grande fatia da população jovem, muitos nascidos no final da ocupação ou já depois de 1999, que não estão muito ligados ao passado. Temos de falar com eles, ouvi-los, oferecer um programa sobre o seu futuro", afirmou.

"Isto é algo massivo em Timor-Leste. Estes jovens agora são votantes e temos de ter uma linguagem diferente", disse. Insistindo que a geração mais velha é "respeitada e apreciada", Soares considera que, porém, Timor-Leste não pode viver "sobre mitos inventados" em que os jovens ficam de fora do processo político.

Questionado sobre alguns políticos das gerações mais jovens que nos últimos anos estiverem no poder e defraudaram a esperança de alternância, com suspeitas de envolvimento em casos de corrupção, por exemplo, Adérito Soares admite que houve alguns erros.

"Aprendemos do passado. Aprendemos nos últimos 14 anos. Todos nós. Quando começámos em 1999 ou 2002 ninguém tinha experiência em ser ministro, ou até primeiro-ministro ou presidente", disse.

"Mas porque aprendemos, não queremos que seja tudo decidido por uma ou duas figuras. Queremos ser um partido de ideias, com planos, onde todos possam colaborar", afirmou.

Por isso, questiona o atual modelo de governação, com um executivo de unidade nacional e unanimidade no parlamento, por exemplo, no que toca à aprovação do orçamento.

"Deixemos a democracia florescer. E depois podemos encontrar um caminho. Na política temos de falar de negociação, mas isso não deve fechar a porta à diferença. A diferença de ideias não é uma ameaça à democracia ou à unidade", considerou.

@Lusa

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