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Milhares protestam em Dilí contra Austrália por causa de fronteiras marítimas

22 de Março de 2016, 19:58

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje junto à embaixada da Austrália em Díli para pedir a delimitação de fronteiras marítimas com Timor-Leste, naquela que foi provavelmente a maior manifestação no país após a independência, segundo um organizador.

Milhares protestam em Dilí contra Austrália por causa de fronteiras marítimas. EPA@ António Dasiparu

Mais de dez mil activistas, estudantes e antigos membros da resistência timorense manifestaram-se junto à embaixada da Austrália na capital de Timor-Leste, disse à AFP um dos coordenadores do protesto, Juvinal Dias, do Movimento Contra a Ocupação do Mar de Timor.

"Esta é provavelmente a maior manifestação a que já assistimos desde a declaração da independência", disse Juvinal Dias, que assegurou que o protesto foi organizado pela população, "não pelo Governo".

Juvinal Dias disse que os manifestantes querem que a Austrália respeite a lei internacional e regresse à mesa das negociações das fronteiras marítimas com "boa fé".

Representantes dos manifestantes pediram para ser recebidos pelo embaixador australiano ou por outros diplomatas, mas a solicitação foi recusada, pelo que deixaram uma carta na Embaixada.

A 29 de Fevereiro, o primeiro-ministro timorense revelou que o Governo australiano não está aberto a negociar com Timor-Leste sobre fronteiras marítimas e insiste que o actual acordo de partilha de recursos no Mar de Timor cumpre as obrigações internacionais.

Rui Maria Araújo disse à Lusa que essa é a posição que o seu homólogo australiano, Malcolm Turnbull, lhe transmitiu numa carta de resposta a um pedido timorense para serem iniciadas negociações.

"Mantém a posição sobre a partilha de recursos, que está a ser feita através do CMATS [Tratado sobre Determinados Ajustes Marítimos no Mar de Timor]", disse.

O CMATS foi assinado entre Díli e Camberra, mas Timor-Leste declarou-o inválido devido a actividades de espionagem por parte da Austrália.

Esse acordo prevê que os 'royalties' e outras receitas da zona abrangida, incluindo o rico campo de gás natural Greater Sunrise, sejam divididos em partes iguais entre os dois países. Caso uma fronteira marítima seja definida, esse campo poderia ficar totalmente em águas timorenses.

Apesar da posição australiana, Rui Araújo mostrou-se "confiante", afirmando que Timor-Leste vai "tentar todos os meios" para levar Camberra "à mesa das negociações".

No mesmo dia, num discurso, Rui Araújo sublinhou que a delimitação das fronteiras marítimas de Timor-Leste com os seus dois vizinhos, a Austrália e a Indonésia, não corresponde a qualquer objectivo de partilha de recursos.

"Falamos de fronteiras definidas, e a cada parte cabe os seus recursos. Isto tem de ficar claro", disse.

"Delimitar não é procurar a partilha de recursos. Isso não é a questão. A questão é de soberania", sublinhou, acusando a Austrália de querer impor a Timor-Leste a partilha de recursos.

com Lusa

 


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