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Ex-vice-ministra condenada diz que só cumpriu ordens de Xanana Gusmão

20 de Dezembro de 2016, 15:47

A ex-vice-ministra da Saúde, Madalena Hanjam, condenada hoje a quatro anos de prisão efetiva por participação económica em negócio, disse que vai recorrer e que sempre atuou sob instruções do ex-primeiro-ministro Xanana Gusmão.
"Não estou satisfeita. Vou recorrer. Nada disto foi minha responsabilidade", disse Hanjam, em declarações à Lusa depois de ser lida a sentença no processo em que era coarguida com a ex-ministra das Finanças Emília Pires, condenada a sete anos de prisão pelo mesmo crime.

"Não foi feita justiça e vou avançar com recurso. Se [me] absolvem do crime de administração danosa, essa era a minha única responsabilidade. Mas não de participação económica. Como posso ser condenada por isso se não sou dona da companhia nem tive qualquer benefício económico? A companhia é do marido da Emília", afirmou.

Emília Pires, ex-ministra das Finanças, e Madalena Hanjam, ex-vice-ministra da Saúde, foram condenadas por supostas irregularidades na compra de centenas de camas hospitalares em dois contratos (A e B) adjudicados à empresa do marido da primeira, com um suposto conluio entre os três para a concretização do negócio, no valor de 800 mil dólares.

"O primeiro-ministro tem de se responsabilizar, ele aprovou o dinheiro, a execução, o ajuste direto, quem aprovou tudo foi o primeiro-ministro", disse à Lusa, no Tribunal de Díli, referindo-se ao chefe de Governo na altura, Xanana Gusmão.

"Eu só cumpri as ordens porque as camas são boas para o povo, para beneficiar o povo, não a mim. O dinheiro não vem para mim, é da companhia que eles recomendaram e cujo uso foi bem recomendada pelos técnicos. Que culpa tenho eu nisso?", questionou.

A sentença do processo, o mais mediático da história do sistema judicial timorense, foi dada hoje a conhecer no Tribunal de Díli pelo presidente do coletivo de juízes, José Maria Araújo, e sem a presença de Emília Pires, que está, segundo a defesa, a receber cuidados médicos em Portugal.

O tribunal absolveu as duas arguidas do crime de administração danosa e rejeitou o argumento do Ministério Público de que tinham causado danos económicos ao Estado.

Madalena Hanjam disse que a sua responsabilidade se limitou a processos administrativos e que, sobre esse aspeto, o tribunal a absolveu, insistindo que não teve benefícios económicos e só cumpriu ordens do então chefe do Governo.

"Não veio nenhum dinheiro para mim. O dinheiro foi para a conta dele e eles é que transferiram, não veio nada para mim", afirmou.

"E quem aprovou tudo foi o primeiro-ministro Xanana Gusmão. Quem recomendou foi o ministro que visitou a fábrica, eu só executei, cumpri as ordens. Quem geriu o movimento do dinheiro foi a Emília. Eu só assinei o contrato depois de ter instruções do primeiro-ministro. Isto não é justo", afirmou.

@Lusa

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