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Mundo perdeu construtor da democracia e exemplo tolerância - PR timorense

09 de Janeiro de 2017, 20:28

O Presidente timorense Taur Matan Ruak considerou hoje que a morte de Mário Soares representa a perda de um "construtor da democracia" e de um homem que continuará a ser exemplo inspirador de tolerância para as novas gerações.


Presidente da República timorense, Taur Matan Ruak, atribui Grande-Colar da Ordem de Timor-Leste, a mais alta condecoração do país para estrangeiros, ao antigo Presidente da República Mário Soares (recebida pelo seu filho João Soares) , 28 outubro 2016, em cerimónia decorrida num hotel de Lisboa. Foto@ Manuel de Almeida /EPA/Lusa

"Timor-Leste perdeu um grande amigo. Os timorenses não esquecerão a solidariedade que este estadista português insigne nos demonstrou, durante os anos da luta de libertação", refere a carta de condolências que Taur Matan Ruak enviou a João Soares, filho mais velho de Mário Soares.

"Quero transmitir-lhe e a toda a família enlutada as mais sentidas condolências pelo falecimento do Dr. Mário Soares, de que tomei conhecimento com profunda tristeza e consternação", refere a carta.

O líder timorense recordou que enquanto Presidente da República, Mário Soares "colocou sempre em primeiro plano o direito dos timorenses à autodeterminação e chamou a atenção para as responsabilidades da comunidade internacional na criação de condições para a realização desse direito".

Com uma "reconhecida capacidade diplomática e política e autoridade inigualável de democrata", Mário Soares "ajudou a colocar a violação reiterada e sistemática dos Direitos Humanos do nosso povo na agenda internacional".

Taur Matan Ruak quis ainda destacar a importância de Mário Soares no plano internacional considerando que com a sua morte "o mundo perdeu também um construtor da democracia e um lutador tenaz e determinado".

Os combates de Mário Soares "em favor da tolerância, do diálogo e do exercício da cidadania inspiraram gerações de portugueses e deixam marca profunda na história de Portugal e da Europa" refere ainda o Presidente timorense.

"A memória de Mário Soares, enquanto ativista da democracia e estadista, e os seus êxitos e realizações notáveis continuarão a ser uma poderosa inspiração para as novas gerações, quando é necessário afirmar a vivência de sociedades abertas e tolerantes, contra a violência e o extremismo", refere ainda a carta de condolências.

O Presidente da República timorense, Taur Matan Ruak, atribuiu no ano passado a Mário Soares o Grande Colar da "Ordem de Timor-Leste", como "profundo reconhecimento" pela "solidariedade e apoio ativo" na luta pela independência.

Numa cerimónia em Lisboa em outubro do ano passado, em que foi também condecorado Jorge Sampaio, o líder timorense manifestou "o profundo reconhecimento pelo humanismo, as inúmeras expressões de solidariedade e o apoio ativo com que [Soares e Sampaio], ao longo dos anos, alimentaram a luta pela liberdade, autodeterminação e independência de Timor-Leste".

Mário Soares morreu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.

O Governo português decretou três dias de luto nacional, a partir de hoje.

O corpo do antigo Presidente da República vai estar em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos a partir das 13:00 (hora de Lisboa) de segunda-feira, e o funeral realiza-se a partir das 15:30 (hora de Lisboa) de terça-feira, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

com Lusa


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