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Fonte diplomática: Alterações a vistos australianos não afetam programa sazonal

19 de Abril de 2017, 19:42

As alterações ao regime de visto para trabalhadores estrangeiros na Austrália não vão afetar os timorenses que estão no país ao abrigo do programa de trabalho sazonal, garantiu à Lusa fonte da embaixada da Austrália em Díli.


"O programa sazonal não é abrangido por os vistos que foram agora alterados. Trata-se de um programa diferente pelo que os trabalhadores timorenses não vão ser afetados", explicou a fonte diplomática.

Centenas de timorenses têm participado nos últimos anos num programa de trabalho sazonal que oferece trabalho temporário nos setores de horticultura, em explorações de cereais, frutas e legumes.

Apoiado pela Secretaria de Estado para a Política de Formação Profissional e Emprego de Timor-Leste (SEPFOPE) e administrado pelo Departamento de Emprego da Austrália, o programa abrangeu no ano passado quase 300 trabalhadores.

Segundo a fonte diplomática ouvida pela Lusa o programa não será afetado pelas alterações ao programa de vistos temporários para trabalhadores estrangeiros anunciadas hoje pelo primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull.

O chamado visto 457 era concedido a trabalhadores estrangeiros e às suas famílias durante quatro anos e procurava dar resposta a necessidades de trabalhadores em áreas com pouca procura por parte dos australianos.

Introduzido pelo Governo australiano em 1996 o visto 457, que permitia a entrada de trabalhadores estrangeiros para mais de 650 ocupações, vai agora ser substituído por dois novos vistos, um de dois anos - que pode ser renovado por mais dois - e um de quatro para profissões de qualificações mais elevadas.

Os dois novos vistos exigem pelo menos dois anos de experiência e os mais longos, de quatro anos, exigem maior proficiência em inglês.

Turnbull disse que os programas de migração devem satisfazer o interesse nacional e garantir mais postos de trabalho para os australianos.

"Não vamos mais permitir que os vistos 457 se tornem passaportes para trabalhos que poderiam e deveriam ser para australianos", disse o primeiro-ministro, numa mensagem divulgada na sua conta da rede social Facebook.

O chefe do Governo referiu que a Austrália "é produto da imigração e um país multicultural de sucesso", mas ressalvou que "os trabalhadores australianos devem ter prioridade nos empregos na Austrália".

O primeiro-ministro disse ainda que a decisão foi tomada após uma análise minuciosa da situação e negou que fosse uma resposta a partidos da extrema-direita como o One Nation.

"O Governo recusará sempre que está a endurecer as medidas de imigração. O plano de eliminar os vistos 457 deve-se ao One Nation, todos sabemos a verdade", afirmou no Twitter a líder desta formação, Pauline Hanson.

Em setembro de 2016 residiam na Austrália 95.758 pessoas com este tipo de visto, segundo os últimos dados do departamento de Imigração australiano.

Um quarto dos titulares destes vistos é oriundo da Índia, seguido do Reino Unido, com 19,5 por cento do total, e da China, com 5,8 por cento.

Segundo o primeiro-ministro, as pessoas que já possuem estes vistos não serão afetadas pela medida.

com Lusa

 


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