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Ramos-Horta destaca “integridade, honestidade, dedicação”

20 de Maio de 2017, 00:03

O ex-Presidente timorense José Ramos-Horta lembrou hoje a "integridade, honestidade e dedicação a Timor-Leste" do ex-vice-primeiro-ministro Mário Carrascalão, cuja notícia da morte recebeu com "profundo choque".


"Muitas vezes não era compreendido. Mas não há alguém em Timor-Leste que alguma vez pudesse apontar algo negativo a Mário Carrascalão no tocante à sua integridade, honestidade e sua dedicação a Timor-Leste", disse Ramos-Horta em declarações à Lusa, em Díli.

"Mário Carrascalão sempre foi um defensor da verdade, denunciando a corrupção ou prepotência no tempo indonésio e após a independência, mas sempre se pugnou pela reunião, reconciliação entre todos os timorenses", afirmou.

Ramos-Horta disse que sempre admirou Carrascalão, o quinto de 12 irmãos (e o quarto a falecer), "desde os tempos em que era chefe dos serviços de agricultura", no tempo da administração portuguesa de Timor-Leste.

Depois, conheceu o homem "simples, acessível e honesto", que desempenhou funções na missão permanente da Indonésia junto da ONU, e "embora em campos diplomáticos opostos" sempre "confidenciou em privado a verdade da situação no país", afirmou.

"Quando foi convidado para Governador, perguntou a minha opinião e eu disse que deveria aceitar porque assim poderia proteger timorenses e ele aceitou", recordou Ramos-Horta.

"Salvou muitas vidas de timorenses, conseguiu a primeira abertura de Timor-Leste e pela primeira vez centenas de timorenses puderam ir para Jacarta estudar com bolsas de estudo", disse.

"Houve inúmeras situações em que interveio junto de Suharto [Presidente da Indonésia entre 1967 e 1998] para melhorar a situação em Timor-Leste", disse, recordando o trabalho daquele que foi Governador de Timor-Leste entre 1982 e 1992.

Mário Viegas Carrascalão morreu hoje em Díli, aos 80 anos, ao que tudo indica vítima de um ataque cardíaco que sofreu quando conduzia o seu carro pessoal no centro da capital timorense.

Uma testemunha, Hipólito da Silva, disse ter visto o carro a despistar-se e depois a embater num poste, tendo ido em auxilio de Carrascalão que estava ainda vivo. Transportado para o Hospistal Guido Valadares, morreu pouco tempo depois.

A família está ainda a organizar o funeral.

Fundador do primeiro partido timorense, a União Democrática Timorense (UDT), Carrascalão foi Governador nomeado por Jacarta e, depois da independência, exerceu o cargo de vice-primeiro-ministro no IV Governo constitucional.

com Lusa


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