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Parlamento do Camboja retira imunidade a líder da oposição acusado de traição

11 de Setembro de 2017, 17:47

O parlamento do Camboja aprovou hoje a imputação pelo crime de traição do líder da oposição, que arrisca entre 15 e 30 anos de prisão caso venha a ser condenado, levantando a imunidade de Kem Sokha.


Kem Sokha, de 64 anos, é acusado de conspirar com um poder estrangeiro, em referência aos Estados Unidos, contra o primeiro-ministro cambojano, Hun Sen.

A sessão parlamentar prosseguiu com o apoio do Partido Popular do Camboja (CPP, no poder), com maioria, apesar do boicote do Partido de Resgate Nacional do Camboja (CNRP, da oposição), liderado desde fevereiro por Sokha.

Com 67 votos a favor e nenhum contra (entre os 123 assentos), o parlamento cambojano levantou a imunidade parlamentar do político.

Hoje, Hun Sen, de 63 anos, ameaçou mesmo dissolver o CNRP se continuarem a apoiar Kem Sokha.

“Se o partido político defende o traidor significa que também eles são traidores e não têm lugar para participar no processo democrático do Camboja”, declarou o chefe do Governo, durante uma cerimónia de graduação, retransmitida através do seu perfil na rede social Facebook.

A detenção de Sokha deixa o CNRP, principal força da oposição cambojana, sem liderança, nas vésperas de eleições gerais. O outro líder do CNRP Sam Rainsy vive no exílio.

O Executivo de Hun Sen, que ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 1985, tem criado uma pressão crescente sobre os seus críticos, meios de comunicação e opositores políticos, sobretudo depois de ter perdido posições em recentes eleições locais e a menos de um ano das gerais de 29 de julho de 2018, em que pela primeira vez o seu partido não parte como claro vencedor.

Hun Sen advertiu, nos últimos meses, por várias ocasiões, para a possibilidade de uma guerra civil se o seu partido perder o poder nas eleições de julho de 2018.

Lusa


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