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Tribunal chinês condena homem à prisão por ensinar Alcorão em aplicação de mensagens

12 de Setembro de 2017, 19:03

Um tribunal de Xinjiang, região no extremo noroeste da China, condenou um homem a dois anos de prisão, por ensinar o Alcorão a amigos e familiares numa aplicação de mensagens instantâneas, noticiou hoje a imprensa estatal.


Huang Shike, de 49 anos, foi considerado culpado de "usar ilegalmente informação e a Internet", de acordo com o veredito do Tribunal Supremo Popular de Xinjiang, citado pelo jornal oficial Global Times.

Ao pregar e ensinar o Alcorão em locais não religiosos, Huang "perturbou as ordens administrativas para a atividade religiosa normal" e "prejudicou gravemente a sociedade", sublinhou o Tribunal.

O homem, membro da minoria étnica chinesa de origem muçulmana 'hui', estabeleceu um grupo no Wechat - o equivalente chinês ao WhatsApp -, em 2016, no qual ensinava a rezar cerca de 100 pessoas, a maioria amigos ou familiares.

Em agosto de 2016, o homem terá também explicado num outro grupo o significado do feriado islâmico de Eid al-Adha ("Festa do Sacrifício"), segundo o Global Times.

Pequim baniu ou controla várias práticas muçulmanas, incluindo manter a barba longa e jejuar durante o mês do Ramadão, na região de Xinjiang, que considerou símbolos do "extremismo islâmico".

As autoridades de Xinjiang proibiram ainda os pais de darem nomes islâmicos aos filhos, numa tentativa de diluir a influência da religião numa região que é frequentemente palco de conflitos entre a minoria muçulmana chinesa 'uigure' e a maioria 'han'.

O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu já aos governos locais para melhor assimilar as minorias muçulmanas na cultura dos 'han'.

A China considera os separatistas de Xinjiang responsáveis pelos conflitos na região. No entanto, peritos e grupos de defesa dos direitos humanos afirmaram que a política repressiva de Pequim relativamente à cultura e religião dos 'uigures' alimenta as tensões.

As autoridades chinesas têm reforçado o controlo sobre comentários nas redes e espaços de discussão 'online'. Na semana passada, a Administração do Ciberespaço da China publicou um regulamento, no qual estabelece que as empresas do setor devem verificar as identidades reais dos membros em grupos de conversação no espaço 'online'.

O regulamento estipula também o estabelecimento de um mecanismo que classifica a credibilidade dos utilizadores.

Lusa

 


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