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África do Sul leiloa 11.500 euros em ativos de vice-presidente da Guiné Equatorial

12 de Setembro de 2017, 23:19

Um tribunal da África do Sul ordenou um leilão dos bens do vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodorin Nguema Obiang, situados num imóvel num bairro de luxo na Cidade do Cabo, devido a um litígio judicial.


De acordo com o site de notícias sul-africano News 24, o vice-presidente da Guiné Equatorial, o mais recente membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai ter os ativos que tinha num luxuoso imóvel em Bishopcourt, nos arredores da Cidade do Cabo, na África do Sul, devido a um processo que lhe foi movido por Daniel Janse van Rensburg, um antigo sócio do presidente da câmara de Malabo, Gabriel Mba Bela Angabi.

De acordo com o News 24, o diferendo que opõe o vice-presidente equato-guineense ao antigo preso da prisão Playa Negra centra-se no processo que foi movido contra Obiang por alegada prisão injustificada, dado que o vice-presidente detinha então a tutela das forças armadas, polícia, prisões e instalações de detenção no país.

O sul-africano Daniel Janse van Rensburg foi preso em 2013 nesta famosa prisão africana quando um contrato de aviação assinado com o antigo autarca da capital equato-guineense terminou em litígio, e foi depois libertado em setembro de 2015.

Os ativos que agora vão ser vendidos em hasta pública resultam do facto de Obiang não ter pago as custas judiciais que tinha de suportar por ter perdido a ação de anulação do processo, num valor estipulado em 178.442 rands, a moeda sul-africana, cerca de 11.515 euros ao câmbio de hoje.

De acordo com os documentos judiciais citados pelo News 24, a morada do imóvel, avaliado em agosto de 2015 em quase 2,2 milhões de euros, aparece como pertencente a Teodoro Nguema Obiang.

Este é mais um dos processos que em vários países têm sido movidos contra o filho do Presidente da Guiné Equatorial e vice-presidente do país, depois de em França, um dos mais mediáticos, ter sido acusado de branqueamento de dinheiro alegadamente conseguido através de corrupção no seu país.

O Ministério Público pede três anos de prisão e ainda o pagamento de uma multa de 30 milhões de euros e a confiscação de todos os bens apreendidos, incluindo um edifício avaliado em mais de 100 milhões de euros.

A sentença será lida a 27 de outubro.

Filho do Presidente Teodoro Obiang, o antigo ministro da Agricultura e das Florestas promovido a vice-Presidente pelo seu pai, Teodorin Obiang, 48 anos, está a ser julgado por branqueamento, desvio de fundos públicos, abuso de confiança e corrupção.

O vice-Presidente da Guiné Equatorial é o primeiro dignitário africano a ser julgado no quadro dos processos designados de “ganhos ilícitos”, iniciados em França sobre as condições de aquisição de ricos patrimónios por parte de vários dirigentes do continente.

Lusa

 


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