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PM timorense convoca reunião de urgência depois de rusga a navios chineses com tubarão

13 de Setembro de 2017, 18:50

O primeiro-ministro timorense reuniu-se hoje com vários responsáveis do país, na sequência de uma rusga a navios chineses apanhados a pescar tubarão em águas do país.


Foto@ Jake Parker/Sea Shepherd/EPA/Lusa

Rui Maria de Araújo confirmou à Lusa que a reunião, em que estiveram o procurador-geral, o ministro do Interior e o comandante da Marinha, entre outros, foi convocada com urgência menos de um dia depois da agência Lusa ter noticiado pormenores da rusga, efetuada no sábado pela Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), apoiada por elementos da organização ambiental Sea Shepherd.

"Temos que investigar o que ocorreu. As autoridades judiciais vão ver as provas existentes e têm que tomar medidas. Vamos resolver isto", afirmou o primeiro-ministro timorense à Lusa.

No sábado, a Lusa noticiou que navios chineses, com licença para operar em águas timorenses, voltaram a ser apanhados a pescar tubarão, espécie protegida em Timor-Leste, durante uma operação conduzida em conjunto pela polícia timorense e pela organização ambiental Sea Shepherd.

Gary Stokes, responsável desta ação da Sea Shepherd, disse à Lusa que os navios foram apanhados a pescar principalmente tubarão numa operação conduzida no sábado passado ao largo do porto de Com, na costa norte de Timor-Leste.

Os navios visados são das empresas chinesas Hong Long Fisheries e Pingtan Marine Entreprises e têm desde final de 2016 uma licença para operar em águas timorenses.

A operação envolveu o navio Ocean Warrior da Sea Shepherd que, com lanchas rápidas, ajudou a transportar efetivos da PNTL, que efetuaram a rusga no interior das embarcações, acompanhada e registada por 'drones' e por câmaras da organização ambiental.

O ministro do Interior timorense, Longuinhos Monteiro, disse à Lusa que a operação foi feita depois de uma denúncia de que os navios continuavam a pescar tubarão e espécies protegidas, tendo a procuradora Angelina Saldanha dado instruções para a inspeção.

"Durante a inspeção encontraram milhares de tubarões dentro dos barcos. Tiraram fotos e fizeram alguns inquéritos para recolha de dados. O relatório foi entregue ao Ministério Público e estamos a aguardar instruções agora", disse.

Questionado sobre preocupações da Sea Shepherd de que os navios - ainda ancorados ao largo da costa norte - possam fugir de águas timorenses, o ministro disse que já foram mobilizadas a polícia marítima e a componente naval das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

"Já orientamos para que tomem as medidas necessárias para lidar com todas as possibilidades. Mas com o mesmo relatório dos factos recolhidos, vamos ver com o Ministério da tutela para ver que sanções administrativas podem ser já impostas de imediato, sem esperar pelo processo criminal", disse.

Stokes garantiu que "mais de 95%" do que estava no navio "era tubarão", pescado com "redes gigantes ancoradas no fundo do mar numa zona com profundidade entre 60 e 80 metros", que danificaram seriamente o coral da região.

"Não só estão a dizimar a população de tubarões, como a fazer sérios danos ao ecossistema local", referiu.

O ex-Presidente timorense José Ramos-Horta considerou "inaceitável" a ação dos navios chineses, a operar em águas timorenses com licenças do Governo desde o ano passado, e sublinhou que Díli tem que atuar.

Horta explicou que desde abril que fez apelos a organizações ambientais, incluindo a Sea Shepherd, para ajudarem Timor-Leste "a combater a pesca ilegal e com total impunidade" devido "aos meios inexistentes de interdição" timorenses.

"É inaceitável. Deve haver uma grande multa e os navios devem ser apreendidos até que a multa seja paga", afirmou, defendendo um acordo para a segurança marítima com a Austrália.

"Os australianos sempre se disponibilizaram para apoiar Timor-Leste nesta matéria, ajudando a fortalecer as condições do país. É uma solução ainda que não resolva a 100%. O Governo tem que atuar", afirmou.

Lusa


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