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PR timorense apela ao diálogo e apoio mútuo entre Governo e oposição parlamentar

11 de Outubro de 2017, 22:17

O Presidente da República timorense apelou ontem aos cinco partidos eleitos para o Parlamento Nacional para que se ajudem mutuamente, cumprindo o compromisso que fizeram de contribuir para a paz, estabilidade e desenvolvimento de Timor-Leste.


"Ouvi e recebi com felicidade a ideia de que cada partido queria contribuir para a paz e a estabilidade. Eu vi e senti que todos os partidos queriam ajudar-se mutuamente para desenvolver a nossa nação e melhorar a qualidade de vida do povo nos dias de hoje e no futuro", disse Francisco Guterres Lu-Olo numa mensagem à nação.

A mensagem "ao querido povo" timorense - transmitida pela rádio e televisão e distribuída na página da Presidência da República na rede social Facebook - foi divulgada numa altura de alguma tensão política em Timor-Leste com a oposição, maioritária, a oferecer-se numa carta ao Presidente como alternativa de Governo caso o Programa do Governo seja chumbado no debate no plenário na próxima semana.

Referindo-se em concreto ao texto entregue ontem ao Parlamento Nacional, Lu-Olo mostra-se confiante que todos os partidos darão as suas opiniões e contributo para melhorar o documento tornando depois o programa do Governo, no programa de todos "no programa de um país".

"Acredito que todos os deputados vão ter a maturidade política, vão colaborar para melhorar a proposta do programa do VII governo, para melhorar a vida do povo nos dias de hoje e no futuro", disse.

"Como Presidente da República, vou continuar o diálogo com todos os partidos políticos, que ocupe ou não um lugar no parlamento nacional, com todas as organizações da sociedade civil, com base nos meus compromissos".

Na mensagem, Lu-Olo saúda o facto de durante todo o processo de negociação de formação do VII Governo "os partidos da oposição mostrarem a maturidade política e o sentido do Estado" prometendo uma "oposição construtiva".

"Penso que uma oposição construtiva serve para apresentar uma proposta para melhorar a governação, para melhorar a qualidade de vida do nosso povo. Acredito que o VII Governo vai ser firme porque todos os partidos conservam os seus princípios, valores e compromissos e acreditam na estabilidade governativa e com o sentido de Estado", disse.

Lu-Olo reconhece que o processo de formação do Governo "demorou muito tempo" mas insiste que "o tempo não é o fator importante nesta situação especial" e que "o mais importante é a qualidade" do que é construído.

O chefe de Estado relembra os "compromissos" e "as promessas" que fez quando tomou posse a 20 de maio, entre eles zelar pela Constituição de Timor-Leste.

"A nossa Constituição está acima de todas as riquezas neste mundo, pois trata-se de uma riqueza para todos nós, homens e mulheres, os idosos ou os jovens, com a fé e a força que existe e que vem de todas as aldeias de Timor-Leste", disse.

Entre os direitos garantidos na lei base, recordou, está o de eleger o Presidente e os membros do Parlamento Nacional, tendo no passado dia 22 de julho os timorenses eleito os 65 deputados de cinco partidos.

Desse voto não saiu qualquer partido com a maioria absoluta, capaz de "governar sozinho durante os próximos cinco anos" pelo que, por isso, "o povo pede e espera que estas cinco forças políticas possam ajudar-se mutuamente".

É "responsabilidade de (...) cada um dos partidos mostrar como é que conseguem ajudar-se mutuamente" e não "responsabilidade do Presidente da República" que deve apenas "ouvir e apoiar" com base nas suas competências constitucionais.

"Tenho o dever de ajudar os partidos para aumentar o espírito de tolerância e de unidade nacional, fortalecer a paz e estabilidade e garantir o respeito da Constituição", disse.

Foi com esse espírito, afirmou, que abriu o diálogo com todos os partidos após as eleições e foi com "felicidade" depois desse diálogo que deliberou indigitar Mari Alkatiri como primeiro-ministro, assente na coligação entre a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e o Partido Democrático (PD).

Lu-Olo mostrou-se confiante que as instituições de Estado, da sociedade civil e os meios de comunicação social saberão trabalhar juntos.

"Peço, e acredito no povo, principalmente aos jovens, para ficar tranquilo enquanto os deputados estão a refletir no programa apresentado pelo governo, para melhorar a nossa vida. Todos nós queremos desenvolver o país com a nossa capacidade", disse.

"Nós não estamos a ignorar nenhum partido ou organização ou a ignorar qualquer individuo. Para servir o povo, temos de escutar os outros, saber dialogar, comprometer-se com base nos princípios e nos valores, para encontrar um bom caminho, para fazer o melhor. Acredito que juntos vamos fazer isto", disse.

Lusa


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