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Líder católico timorense pede “bom senso” aos políticos e debates sobre assuntos de fundo

10 de Novembro de 2017, 19:35

O presidente da Conferência Episcopal timorense apelou hoje ao bom senso dos líderes do país e disse que espera um debate político sobre o programa do Governo que incida mais sobre questões de fundo do que "temas laterais".


"Gostaria que houvesse uma oposição porque ainda nos falta uma certa cultura de compreender que a oposição tem tanta força e tanto valor como um Governo. Quanto mais forte e melhor for a oposição, melhor será a prática do Governo", disse Basílio do Nascimento.

"O que deve orientar o papel de um e de outro são os conteúdos dos programas e o que interessa de facto à vida da nação. O Governo apresenta e a oposição concorda ou discorda, mas que as discussões sejam sobre o cerne da questão, [mais] do que estar a discutir coisas laterais. Ao longo desta discussão pareceu-me verificar foi mais discussões sobre assuntos laterais do que sobre assuntos fundamentais", disse o bispo que é também responsável da diocese de Baucau.

Basílio do Nascimento, que é presidente da Conferência Episcopal Timorense (CEP), falava aos jornalistas depois de liderar uma delegação dos três bispos timorenses que se reuniu com o Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, no Palácio Presidencial em Díli.

Participaram ainda no encontro os bispos Virgílio do Carmo da Silva (Díli) e Norberto do Amaral (Maliana).

Questionado pela Lusa sobre se considera ainda possível que o atual Governo possa cumprir o seu mandato ou se o país caminha para eleições antecipadas, o prelado disse que espera que "impere o bom senso".

"Em Timor vigoram duas coisas: o bom senso e a racionalidade. Nem sempre a racionalidade funciona mas o bom senso, muitas vezes, supre aquilo que a racionalidade impede", afirmou.

"Há coisas que são necessariamente vistas pela lógica e outras pelo bom senso. Espero que impere o bom senso e se o bom senso não imperar há mecanismos previstos na constituição para que as coisas funcionam", considerou ainda.

Sobre o impacto económico que a tensão política está a ter no país, o bispo disse que para já não há motivos de preocupação apesar de "especuladores" que começam a mexer nos preços de alguns bens essenciais.

"Acho que isso faz parte destas situações em que muitos aproveitam situações não definidade para sobrevalorizarem os seus interesses", disse.

"Fico muito admirado e contente sobretudo com a reação do povo. Situações destas há cinco ou 10 anos atrás criaram um pânico, mas agora ouvindo as pessoas nos mercados, nas ruas, as pessoas simples falam com melhor bom senso do que alguns responsáveis", considerou.

Francisco Guterres Lu-Olo explicou aos jornalistas que o encontro com os três bispos, anunciado no domingo passado, pretendia analisar a situação política em Timor-Leste.

"Tive esse encontro com os três bispos das três dioceses para poderemos analisar um pouco mais a situação politica atual e encontrar, entre todos, a melhor forma de ultrapassar a situação. Ouvi com muita atenção as opiniões que os três bispos de deixaram", explicou o chefe de Estado.

Recorde-se que o chefe de Estado já tinha anunciado um encontro a 15 de novembro com os líderes dos três maiores partidos timorenses, nomeadamente Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Xanana Gusmão presidente do Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) e Taur Matan Ruak presidente do Partido de Libertação Popular (PLP).

O Governo minoritário, apoiado pelos 23 deputados da Fretilin mais sete do Partido Democrático (PD), enfrentou uma moção de rejeição ao seu programa aprovada no mês passado pelo bloco da oposição, que integra o CNRT, PLP e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO).

O executivo está a preparar um novo programa do Governo, a apresentar até final do ano, tendo entregue no Parlamento Nacional na quinta-feira o Orçamento Retificativo para 2017.

A oposição contestou já, quer a decisão do Governo de apresentar o orçamento - argumentando que há dinheiro nas contas públicas suficiente até ao final do ano -, quer o facto de o apresentar antes de voltar a levar aos deputados o novo programa.

Se o programa do Governo voltar a ser chumbado, o executivo cai e o Presidente da República tem de decidir se opta por outra solução governativa dentro do atual cenário parlamentar ou se convoca novas eleições.

Após as eleições, o CNRT, que foi o segundo partido mais votado, anunciou que pretendia ser oposição, mas agora aprovou encetar conversações formais para a constituição de uma Aliança de Maioria Parlamentar (AMP) que quer ser alternativa ao Governo da Fretilin.

Lusa

 


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