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China critica Austrália por planear banir interferência estrangeira da sua política interna

06 de Dezembro de 2017, 22:51

A diplomacia chinesa criticou hoje a Austrália por planear banir a interferência estrangeira da sua política doméstica, uma decisão motivada em parte pelo alegado envolvimento da Rússia nas eleições norte-americanas e a crescente influência da China.


O primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, disse esta semana que o seu governo vai atualizar as leis relativas à espionagem e traição e proibir donativos a organizações políticas australianas por estrangeiros, visando evitar interferências na política do país.

O anúncio surge numa altura em que os EUA estão a investigar a alegada interferência da Rússia nas suas eleições e de crescentes preocupações quanto ao dinheiro e influência chineses na política australiana.

"As potências estrangeiras estão a exercer tentativas sem precedentes e cada vez mais sofisticadas de influência no processo político, aqui e no exterior", disse Turnbull aos jornalistas na terça-feira.

Na semana passada, o senador da oposição Sam Dastyari foi afastado por ter solicitado donativos a um empresário chinês, uma ação que passará a ser crime caso a proposta de Turnbull avance.

Em comunicado, a embaixada chinesa em Camberra afirma que a "China não tem intenção de interferir em assuntos internos da Austrália ou exercer influência no seu processo político através de donativos".

Na mesma nota, a chancelaria chinesa diz desejar que a Austrália olhe as relações bilaterais de forma objetiva.

Segundo a nova legislação, passa a ser considerado crime atuar em beneficio de uma entidade estrangeira, de forma a influenciar um processo político ou governamental.

Uma outra lei vai proibir donativos estrangeiros a entidades políticas australianas.

Dastyari solicitou donativos ao empresário chinês Huang Xiangmo para cobrir despesas pessoais. Numa conferência de imprensa, organizada apenas para jornalistas chineses, o senador australiano deturpou a política australiana para as reclamações territoriais de Pequim no Mar do Sul da China.

O governo australiano defende ainda o afastamento de Dastyari, por ter dado a Huang conselhos contraespionagem, quando no ano passado disse ao empresário que deixasse o telemóvel dentro da sua mansão em Sidney enquanto iam lá fora falar.

O comunicado da embaixada chinesa afirma que as notícias avançadas pela imprensa local "refletem a típica histeria e paranoia anti-China" e "mancham a reputação da Austrália como uma sociedade multicultural".

Lusa

 


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