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Comandante militar timorense critica quem tenta dividir lideres históricos do país

10 de Janeiro de 2018, 20:14

O comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) criticou hoje “os inimigos” do país que tentam, como no tempo da resistência, “dividir para reinar”, procurando criar conflitos entre os líderes históricos.


“O inimigo tem sempre essa intenção: de dividir para reinar. O inimigo tentou sempre dividir-nos no tempo na resistência, mas não conseguiu e agora há quem tente de novo um plano de dividir. Lançam boatos e fazem tudo para que entre nós entremos em contradição e choque”, afirmou Lere Anan Timur, em declarações no Palácio Presidencial em Díli.

“As críticas que muitos fazem não têm qualquer fundamento. Há quem critica o Xanana a dizer que está fora, que não tem responsabilidade. Ou criticam o Mari. Xanana como Mari, como qualquer líder construtor da nação teve a responsabilidade desde o início do processo até agora", disse.

Xanana Gusmão, presidente do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT, maior força da oposição) e negociador principal de Timor-Leste com a Austrália no processo de delimitação de fronteiras marítimas e do acordo para a exploração do campo de Greater Sunrise, no Mar de Timor, está ausente do país desde 11 de setembro.

Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), partido mais votado nas eleições de 22 de julho último, lidera um Governo minoritário de que faz ainda parte o Partido Democrático e vários dirigentes independentes e ligados a outras forças políticas, incluindo dois dos partidos da oposição.

Lere Anan Timur falava aos jornalistas depois da sua reunião semanal com o Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, durante a qual informou sobre “a situação militar, política e geral em Timor-Leste”.

“Não podemos questionar esta gente (...) ninguém nos vai ensinar o que é o nacionalismo ou patriotismo. A prática já o demonstrou”, disse.

“Xanana, Mari, Ramos-Horta, Lu-Olo têm que ser respeitados pelo que fizeram na luta por Timor. Respeito e confiança. Respeito requer educação e confiança requer tempo”, acrescentou.

O comandante das F-FDTL é um dos líderes da segunda geração de combatentes contra a ocupação indonésia e atualmente é uma das vozes influentes no espaço público e político timorense.

As suas intervenções são, por vezes, criticadas pelo seu conteúdo político, algo que o militar rejeitou, afirmando que a formação dos militares também é uma formação política e que “quando se fala de estratégia também se fala de política”.

Timor-Leste vive há vários meses um período de incerteza política com a oposição, maioritária no Parlamento Nacional, a chumbar o programa do Governo e uma proposta de Orçamento Retificativo, tendo apresentado já uma moção de censura ao executivo e uma proposta de destituição do presidente do parlamento.

O país vive desde 01 de janeiro em sistema de duodécimos, sem orçamento de Estado e com o futuro do país a estar nas mãos do Presidente timorense que pode, ainda este mês, decidir se há, ou não, eleições antecipadas para resolver o impasse.

Lusa

 


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