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Partidos timorenses concordam com calendário proposto para eleições antecipadas

07 de Fevereiro de 2018, 20:07

Os partidos com assento parlamentar concordaram hoje, numa reunião com o Presidente da República e os órgãos eleitorais, com o calendário proposto para as eleições antecipadas em Timor-Leste, previstas para maio.


A reunião foi convocada pelo Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, que ainda esta semana deverá anunciar a data para a realização do sufrágio, necessário depois de ter dissolvido o parlamento eleito a 22 de julho para solucionar o impasse político no país.

À saída da reunião, os responsáveis partidários confirmaram ter aceitado as propostas de calendário apresentadas pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), ficando agora a aguardar a decisão do chefe de Estado.

Alcino Baris, presidente da CNE, confirmou que o calendário proposto prevê a votação a 12 de maio, cabendo agora ao Presidente decidir se será essa a data.

"Quando o senhor Presidente fixar a data, os órgãos eleitorais estão prontos para implementar qualquer calendário", afirmou.

José Reis, secretário-geral adjunto da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), que lidera a coligação do Governo, disse à Lusa que o partido não tem objeção ao calendário e data propostos.

Considerando haver fundos suficientes para organizar o ato eleitoral, apesar do regime duodecimal em vigor desde 01 de janeiro, José Reis destacou a maturidade que a população, "especialmente os jovens", tem mostrado nos últimos meses em Timor-Leste.

O dirigente da Fretilin salientou o facto de todos os partidos terem aceite as decisões tomadas pelo Presidente da República, criticando que a pré-campanha esteja a ser marcada por insultos e tentativas de dividir a sociedade.

"São irresponsáveis e não estão a contribuir. Já não têm outros argumentos e tentam dividir-nos. O problema agora não é a frente armada ou diplomática, é a melhoria das condições de vida do povo e do país", afirmou.

Sobre a aliança dos partidos da oposição, José Reis considerou que era uma "plataforma contraditória", tendo em conta a posição que os partidos mostraram na campanha para a votação do ano passado.

"Para nós, este vai ser um referendo ao programa do VII Governo e é com esse programa que vamos a votos", disse Reis.

Dionísio Babo, responsável da Comissão Diretiva Nacional (CDN) do maior partido da oposição, o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), disse aos jornalistas que a sua força política concorda com o calendário proposto.

"Inicialmente propusemos algumas alterações à lei em vigor, mas depois do debate consideramos que são questões técnicas que podem ser resolvidas depois", observou.

Babo disse que o partido terá um novo programa, criado em conjunto pelos três partidos atualmente na oposição (CNRT, PLP e KHUNTO) e unidos na nova a Aliança para Mudança e Progresso (AMP).

Questionado sobre o facto de a pré-campanha estar a ser marcada por insultos e ataques pessoais nas redes sociais, Babo disse que o partido continuará com a maturidade que tem vindo a mostrar.

"Há alguns fóruns facilmente identificados que estão a fazer esses insultos a pessoas e instituições. Da parte do CNRT, mostrámos maturidade política antes, durante e depois das eleições de 2017, e mantemos a disciplina de não nos metermos neste tipo de campanha que pode degradar a qualidade do Estado e da democracia", afirmou.

Fidelis Magalhães, chefe da bancada do Partido Libertação Popular (PLP), disse que o seu partido concorda com a proposta de calendário apresentada pela CNE, com "datas adequadas para realizar um voto transparente e profissional".

"A eleição é uma condição sine qua non para uma democracia, e nós temos a responsabilidade de facilitar as condições para isso", disse.

Mariano Sabino, ministro de Estado e presidente do Partido Democrático (PD) - parceiro da Fretilin no Governo - também confirmou o acordo com o calendário proposto, afirmando que a eleição é um desafio importante para o país.

"É importante para a democracia, para a cultura democrática. Temos que garantir que se debatem programas sobre as condições de vida da população", afirmou.

"Os partidos têm que assumir a sua responsabilidade na construção do Estado. Morreram 350 mil pessoas para defender esta nação, e a construção do Estado tem que assentar em valores importantes", disse.

Sabino questionou os que tentam dividir, voltando a debater o período da resistência à ocupação indonésia e afirmando que o importante hoje não é olhar para o passado mas para a necessidade de desenvolver o país e melhorar as condições de vida do povo.

"O PD não aceita que se utilize a resistência. As três frentes, armada, diplomática e clandestina, foram importantes para a independência, e não pode usar-se isso para dividir", afirmou.

"Agora temos é que falar do programa para o desenvolvimento, para modernizar a sociedade, para transformar a sociedade", disse, apelando à imprensa para ajudar a informar a população.

Considerando que é "triste" que tenha de se gastar "tempo e dinheiro" no voto antecipado, Sabino disse que é essencial para renovar a confiança do povo e garantiu que vai para a campanha com o programa do VII Governo, de que o PD faz parte.

Armanda Berta dos Santos, líder do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) também confirmou que o seu partido concorda com o calendário proposto, remetendo para mais tarde informação sobre o programa da AMP.

Lusa

 


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