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Ministra timorense critica tentativas de divisão na pré-campanha eleitoral

09 de Fevereiro de 2018, 00:43

A ministra da Justiça timorense, Maria Ângela Carrascalão, criticou quem nos últimos meses tem tentado dividir a sociedade timorense, procurando na pré-campanha para as eleições antecipadas reacender debates antigos, incluindo entre os "de dentro e os de fora".


"Não gosto deste tipo de discurso. Gosto menos ainda quando se fala da divisão entre os de fora e os de dentro. É assim que nascem os problemas entre os lorosae [do leste] e os loromono [do oeste], entre os brancos e os mestiços, entre os originários e adquiridos", afirmou à agência Lusa.

"Quando não há mais argumentos, pegam nisto para dividir os timorenses. Não creio que seja um bom caminho. Precisamos de ter ética e não nos atacarmos entre nós. O futuro do país exige que não estejamos divididos", considerou.

A tensão política que se vive em Timor-Leste há vários meses tem feito reacender debates antigos na sociedade timorense, com as redes sociais marcadas por referências a diferenças entre a frente armada e a frente diplomática da luta contra a ocupação indonésia.

Alguns militantes ligados aos partidos da oposição e até alguns artigos na imprensa timorense têm vindo a sugerir que as eleições antecipadas, previstas para maio, vão colocar frente a frente homens da frente armada, como Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak - líderes dos maiores partidos da oposição, CNRT [Congresso Nacional da Reconstrução Timorense] e PLP [Partido Libertação Popular] -, e líderes da frente diplomática, como Mari Alkatiri e José Ramos-Horta, juntos no Governo.

Maria Ângela Carrascalão, que é militante da União Democrática Timorense (UDT) e integra o VIII Governo constitucional, disse que a sua participação no Governo - liderado pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e pelo Partido Democrático (PD) - é sinal da importância dos timorenses trabalharem juntos.

"O senhor primeiro-ministro Mari Alkatiri deu uma boa lição. Foi um ato de coragem ter-me escolhido. Todos sabem que não somos do mesmo partido, mas apesar disso deu-me este voto de confiança. São bons estes passos. Timor não precisa de divisão", afirmou.

"Não devíamos falar desse aspeto difícil de quem esteve dentro e fora. Ou fora foram apenas os que estiveram em Portugal, em África ou na Austrália? E os que estiveram na Indonésia? Também estiveram fora. Por isso devíamos ficar por aqui", afirmou.

Os eleitores timorenses voltam às urnas em maio, menos de dez meses depois de terem votado para eleger os 65 membros do Parlamento Nacional, dissolvido desde 26 de janeiro.

Lusa

 


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