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Xanana Gusmão agradece maturidade do povo

15 de Maio de 2018, 20:07

O líder da coligação que venceu as eleições de sábado em Timor-Leste, Xanana Gusmão, saudou hoje a "maturidade política" mostrada pelos timorenses durante o processo eleitoral, que considerou justo, apesar de "pequenos falhanços".


"Para a AMP o resultado foi justo. Mas se analisarmos as atas e verificarmos, podemos dizer ao STAE e CNE que há alguns falhanços", afirmou Xanana Gusmão, na sua primeira declaração desde as eleições de sábado que a sua coligação, a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), venceu com maioria absoluta.

"Estamos a analisar atas para apresentar reclamações. Porque para apresentar reclamações é preciso recolher factos. Se o povo é maduro e mostrou maturidade política, os líderes dos partidos têm que mostrar também maturidade ao povo", afirmou.

Em conferência de imprensa conjunta com outros líderes da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), incluindo o número dois, Taur Matan Ruak, o líder timorense não clarificou se irá ou não ser primeiro-ministro.

Escusando-se a fazer comentários sobre a formação de Governo, Xanana Gusmão deixou mensagens para a população timorense.

"Hoje, a direção da AMP dá parabéns a todo o povo, parabéns pelo sentido de responsabilidade que mostrou, participando massivamente. O povo deu o seu voto de confiança à AMP", afirmou, considerando que as eleições antecipadas fazem parte do complexo "processo de construção do Estado".

Xanana Gusmão agradeceu o trabalho dos fiscais do partido nas estações de voto e dos quadros e militantes pelo seu trabalho durante a campanha e jornada de votação, manifestando o seu "grande apreço" pela dedicação, profissionalismo e sentido de Estado das forças de segurança, da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

Deixando o seu "apreço pessoal" e da AMP aos oficiais do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) que trabalharam no ato eleitoral, Xanana Gusmão destacou a forma "imediata e profissional" como lidaram com pequenos problemas que surgiram.

"Muitos eram jovens que trabalharam com uma grande consciência da importância do processo para o futuro da nação", disse.

Ainda assim, mostrou-se preocupado por "pequenos falhanços" na contagem com diferenças - em Díli segundo a AMP chegam aos mil votos - entre os números da contagem dos seus fiscais nos centros de votação e os dados finais do STAE.

Xanana Gusmão referiu-se à "maturidade política da população em geral" que soube responder com tranquilidade apesar da tensão política com "várias mostras de cidadania" ao longo do processo.

"Agora começa o trabalho. Eu, em nome dos três partidos, assumo compromisso de que trabalharei pelo povo, avançaremos com o nosso programa político. E depois com Orçamento para 2018", explicou.

O encontro com os jornalistas contou ainda com a presença dos secretários-gerais dos três partidos que integram a AMP, Francisco Kalbuadi Lay (CNRT), Fidelis Magalhães (PLP) e José Agostinho da Silva (KHUNTO).

As eleições de sábado deram à AMP uma maioria absoluta de 34 dos 65 lugares no Parlamento nacional (mais de 305 mil votos ou 49,56% do total), o que permite que forme o VIII Governo constitucional sem necessitar de qualquer apoio adicional.

Em segundo lugar ficou a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), que liderou a coligação minoritária do anterior Governo, e que obteve cerca de 211 mil votos, ou 34,27% do total, mantendo o mesmo número de deputados, 23.

No Parlamento estará também o Partido Democrático (PD) - parceiro da Fretilin no VII Governo, que perde dois deputados para cinco, tendo obtido quase 49 mil votos ou 7,95% do total.

O processo de verificação nacional da contagem está a decorrer na Comissão Nacional de Eleições (CNE) desde hoje e até quinta-feira antes de os dados serem certificados pelo Tribunal de Recurso.

Lusa

 


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