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AMP espera que Mari Alkatiri se demita de Oecusse

16 de Maio de 2018, 00:11

Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak, líderes da coligação que venceu as legislativas de sábado em Timor-Leste, disseram ontem esperar que Mari Alkatiri "se demita", como prometeu, de responsável da região administrativa especial de Oecusse.


"A nossa premissa eleitoral é de que, se vencêssemos, o senhor Mari se retirava. Segundo: o senhor Mari prometeu que, se não atingisse mais de 20 mil votos, ia resignar", disse Taur Matan Ruak, número dois da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), em conferência de imprensa.

"Estamos à espera que ele resigne, como 'gentleman', como político, que cumpra a sua palavra", acrescentou Xanana Gusmão, líder da AMP.

Os comentários surgem na sequência da vitória da AMP nas legislativas de sábado, em que a AMP conquistou uma maioria absoluta de 34 lugares entre os 65 do Parlamento Nacional.

Um dos resultados mais surpreendentes ocorreu na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), em que a AMP bateu a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), de Mari Alkatiri - que geriu a região durante vários anos - por uma diferença de mais de 11.600 votos.

Apesar de líderes da Fretilin continuarem a gerir a região, o partido obteve apenas 10.800 votos contra os mais de 22.400 da AMP.

A derrota levou Arsénio Bano - que ficou a assumir o cargo de presidente interino da RAEOA em substituição de Mari Alkatiri, quando este assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2017 - a fazer um pedido de desculpa público no Facebook.

Os dois principais líderes da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) - Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak - fizeram ontem a primeira conferência de imprensa conjunta depois de conhecidos os resultados do escrutínio municipal do voto.

O encontro com os jornalistas contou ainda com a presença dos secretário-gerais dos três partidos que integram a AMP, Francisco Kalbuadi Lay (CNRT), Fidelis Magalhães (PLP) e Agostinho (KHUNTO).

O voto de sábado deu à AMP uma maioria absoluta de 34 dos 65 lugares no Parlamento nacional (mais de 305 mil votos ou 49,56% do total), o que permite que forme o VIII Governo constitucional sem necessitar de qualquer apoio adicional.

Em segundo lugar ficou a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), que liderou a coligação minoritária do anterior Governo, e que obteve cerca de 211 mil votos, ou 34,27% do total, mantendo o mesmo número de deputados, 23.

No Parlamento estará também o Partido Democrático (PD) - parceiro da Fretilin no VII Governo, que perde dois deputados para cinco, tendo obtido quase 49 mil votos ou 7,95% do total.

Lusa


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