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Timor-Leste/Eleições: Fretilin recolheu provas de “crimes eleitorais”

22 de Maio de 2018, 00:06

O secretário-geral da Fretilin, segundo partido mais votado nas eleições de sábado em Timor-Leste, disse, no sábado passado, que o partido encontrou provas de "crimes eleitorais" que fazem parte da documentação que apresentou ao Tribunal de Recurso.


Em declarações à Lusa, Mari Alkatiri escusou-se a avançar detalhes concretos sobre o recurso que a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) apresentou no sábado contra o apuramento dos resultados das legislativas.

Referindo-se aos prazos curtos do processo eleitoral, explicou que, além do recurso apresentado no sábado passado, a Fretilin continua a realizar investigações.

"Vamos deixar o Tribunal deliberar e considerar. Este é um processo eleitoral e os prazos são muito curtos. O que apresentamos já é substancial, mas a investigação continua em termos de crimes eleitorais. Temos seis meses para o fazer", disse à Lusa na sede do Comité Central da Fretilin em Díli.

Questionado sobre se as queixas levadas ao Tribunal de Recurso incidem particularmente na região de Oecusse, em que a Fretilin perdeu significativamente face a 2017, Alkatiri disse que foram recolhidas "provas", sem as detalhar.

"Temos muitas provas em Oecusse. As pessoas continuam traumatizadas. Há carros estranhos com pessoas estranhas que continuam a intimidar. Teremos que gerir isto com certo cuidado. A última coisa que gostaria de provocar seria um conflito entre comunidades, em Oecusse ou no resto de Timor", afirmou.

Independentemente das investigações, Alkatiri disse que o partido respeitará qualquer decisão do Tribunal de Recurso ao qual cabe a validação final dos resultados eleitorais.

"O Tribunal é tribunal, e num Estado de direito democrático a decisão final é do tribunal e qualquer pessoa que tenha sentido de Estado vai ter que aceitar", disse.

Considerando que o facto da Fretilin ter crescido significativamente no seu apoio eleitoral implica que "não houve derrota mas sim uma vitória adiada", Alkatiri admitiu que pode afastar-se da liderança do partido.

"A idade conta e pesa. Estar e continuar na Fretilin sim, estarei. Liderar vamos ver", disse numa conversa à margem de um concerto na CCF que assinala o 44º aniversário da Associação Social Democrática de Timor-Leste (ASDT), segundo partido criado em Timor-Leste e que em setembro de 1974 se transformou na Fretilin,
no sábado passado.

Os comentários de Alkatiri foram feitos horas depois do partido ter apresentado no Tribunal de Recurso, em Díli, um recurso contra a ata de apuramento nacional dos resultados.

O recurso foi entregue aqui hoje. Ainda está a ser considerado. O Tribunal tem 48 horas para se pronunciar, segundo a lei", confirmou à Lusa uma fonte do Tribunal de Recurso.

O assunto foi uma das questões abordadas no passado sábado numa reunião do Comité Central da Fretilin (CCF) na sede do partido em Díli.

Recorde-se que na quinta-feira o líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e ainda primeiro-ministro, Mari Alkatiri confirmou que o partido estava a realizar investigações a supostas irregularidades durante a votação, particularmente centradas no enclave de Oecusse.

Um dos resultados mais surpreendentes da votação de sábado ocorreu na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), em que a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) bateu a Fretilin de Mari Alkatiri - que geriu a região durante vários anos - por uma diferença de mais de 11.600 votos.

Apesar de líderes da Fretilin continuarem a gerir a região, o partido obteve apenas 10.800 votos contra os mais de 22.400 da AMP. Em 2017 a diferença foi de apenas 45 votos.

A derrota levou Arsénio Bano - que ficou a assumir o cargo de presidente interino da RAEOA em substituição de Mari Alkatiri, quando este assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2017 - a fazer um pedido de desculpa público no Facebook.

O escrutínio municipal e apuramento nacional confirmaram que a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) venceu as eleições legislativas com mais de 305 mil votos, ou 49,6% do total, o que lhe dá 34 dos 65 mandatos do Parlamento Nacional e a possibilidade de formar o VIII Governo constitucional sem necessitar de qualquer apoio adicional.

Em segundo lugar ficou a Fretilin, que liderou a coligação minoritária do anterior Governo, e que obteve mais de 213 mil votos, ou 34,2% do total, mantendo o mesmo número de deputados, 23.

No Parlamento estará também o PD, parceiro da Fretilin no VII Governo, e que perdeu dois deputados para cinco, tendo obtido mais de 50 mil votos ou 8,1% do total, e a Frente de Desenvolvimento Democrático (FDD) que obteve 34 mil votos (5,5%) do total e 3 deputados.

Lusa

 


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