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Investigadores debatem no Porto documentos dispersos da história recente de Timor-Leste

21 de Maio de 2018, 22:42

Investigadores portugueses reúnem-se dia 24 de maio, no Porto, para debater a documentação dispersa sobre a história recente de Timor Leste, explicou à Lusa o promotor do colóquio Luís Pinto.


Subordinado ao tema 'História & Memória - os arquivos de e para Timor' e organizado pelo Departamento de História e Estudos Políticos e Internacionais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (DHEPI), o colóquio pretende fazer o ponto da situação relativamente à antiga colónia portuguesa.

Num documento escrito enviado à Lusa, Luís Pinto explicou que "as características particulares de Timor e as circunstâncias históricas da colonização portuguesa, ocupação japonesa, descolonização, invasão indonésia, resistência e administração pela ONU resultaram numa grande dispersão da documentação relevante para o estudo da sua história".

"Se a identificação das fontes e bibliografia já é uma tarefa morosa para o estudo do período 1769-1945, mais difícil se torna para o período 1945-1975", acrescentou, vincando que a "internacionalização da 'questão de Timor', a partir de 1975, multiplicou as fontes a consultar".

Salientando que "a dispersão da documentação é não apenas geográfica, mas também linguística", argumentou que "qualquer tentativa de inventariar essas fontes exige uma colaboração internacional" e que "Portugal, por razões históricas, dispõe de vasta documentação sobre Timor", logo "pareceu apropriado tentar fazer um ponto da situação sobre aquilo que se sabe (e não se sabe) acerca dos arquivos sobre Timor".

Organizado no âmbito do Programa de Doutoramento em História da FLUP, que "tem uma forte tradição nos estudos arquivísticos" e se "disponibilizou para ajudar a formar arquivistas leste-timorenses, nomeadamente para o Arquivo Nacional de Timor-Leste (ANTL)", o "estudo de temas leste-timorenses tem, por isso, interesse histórico, cultural e científico para Portugal", argumentou o promotor.

"A 'questão de Timor' pode ser igualmente um interessante objeto de estudo sobre o modo como nela se articularam interesses internacionais e atores locais, como um movimento de resistência lutou pela libertação nacional e construiu a paz, como a sociedade civil portuguesa e internacional se organizou para apoiar uma causa que parecia perdida, como foi construído o estado em Timor-Leste e o papel da ONU nesse processo", disse.

Dando conta que "Timor-Leste debate-se naturalmente com a questão da sua identidade", Luís Pinto considerou que o novo país "precisa de demonstrar que a sua consciência de identidade é suficientemente forte para ultrapassar as vicissitudes internas e externas", sustentando "uma cultura própria, na sua diversidade".

"A história coletiva de Timor-Leste é uma das componentes mais importantes dessa consciência identitária", frisou.

O colóquio é, também, disse à Lusa, "uma forma de apoiar o esforço em curso, desde 1999, em Timor-Leste por "várias instituições" para "preservar e disponibilizar a documentação que vão recolhendo, apesar das dificuldades financeiras, materiais e de recursos humanos".

Precisando não ser "intenção do colóquio da FLUP contribuir para as polémicas ou tentar 'resolver' a 'questão da história' em Timor-Leste", entende-a como o "realçar da importância da disseminação da informação, do acesso, do uso, do dar vida ao muito material que existe sobre Timor-Leste. E fazê-lo num espírito de colaboração com todos e, em primeiro lugar, com os leste-timorenses", concluiu.

Lusa

 


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