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ONG estrangeiras denunciam limitações a ação no terreno na Indonésia

10 de Outubro de 2018, 17:07

Organizações não governamentais denunciaram esta terça-feira restrições de acesso impostas pelas autoridades indonésias às equipas de socorro estrangeiras, que estão impedidas de intervir diretamente no apoio às populações afetadas pelo sismo de setembro.


A agência indonésia de gestão de catástrofes (BNPB) indicou às organizações que as novas regras as impedem de participar na procura de corpos de vítimas nas zonas de Palu mais afetadas pelo sismo de 7,5 na escala de Richter, seguido de maremoto, que atingiu as ilhas Celebes, a 28 de setembro.

"As ONG estrangeiras não estão autorizadas a ir diretamente estipulou a BNPB.

Ahmed Bham, da organização sul-africana "Gift of the Givers", explicou, citado pela agência de notícias France Presse, que lhe foi dito que "todas as equipas estrangeiras de busca e salvamento deveriam regressar aos seus países porque não eram necessárias na Indonésia".

Os 27 membros da equipa, que chegaram a Palu há três dias provenientes de Joanesburgo, ainda não estão no terreno, o que, para Ahmed Bham, representa a perda de vários dias.

As autoridades estimam em 5.000 o número de pessoas que poderão estar soterradas nos escombros em Palu, cidade de 350 mil habitantes, e em mais de 70 mil o número de deslocados.

O número de mortos foi atualizado hoje para 2.010.

"Não é uma questão de burocracia, mas de estilo. ´Não podem trabalhar aqui, não podem fazer isto, não podem fazer aquilo'. É algo que nunca encontramos em catástrofes semelhantes", disse Bham.

"A verdade é que divulgaram um comunicado a pedir a retirada do pessoal estrangeiro", disse, por seu lado, Tim Costello, diretor na Autrália da associação "World Vision", citado pela televisão ABC.

Inicialmente, a Indonésia recusou ajuda internacional, assegurando que as Forças Armadas poderiam fazer face à situação, mas à medida que foi conhecida a dimensão da catástrofe, as autoridades admitiram a entrada de ONG internacionais e o apoio de governos estrangeiros.

A somar à resistência inicial das autoridades, as dificuldades logísticas atrasaram a chegada de ajuda alimentar, água e medicamentos, a cerca de 200 mil pessoas.

Segundo Tim Costello, atualmente a ajuda já chega aos sobreviventes, mas a um ritmo que continua "muito lento".

O responsável estranhou a atitude das autoridades indonésias relativamente às ONG estrangeiras, adiantando que os jornalistas estrangeiros podem trabalhar e circular livremente.

Ahmed Bham adiantou que a maioria das equipas internacionais que estão em Palu, encontram-se no aeroporto.

"Não podem trabalhar e começam a regressar aos seus países", disse.

O porta-voz da BNPB, Sutopo Purwo Nugroho, assegurou que não foi pedido a nenhum estrangeiro para deixar Palu, mas que na zona de Lombok havia muitos e que lhes foi solicitado que saíssem.

"O presidente disse que não precisávamos de mais ajuda estrangeira, mas eles continuaram a chegar", disse.

Lusa

 


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