Página gerada às 11:27h, sabado 15 de Dezembro

CPLP vai prolongar missão para "acompanhar acontecimentos"

10 de Outubro de 2018, 17:28

O chefe da missão de observação eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) às eleições em São Tomé e Príncipe anunciou esta terça-feira que vai prolongar a permanência no país para "acompanhar com atenção os acontecimentos".


"Face aos últimos acontecimentos, como chefe da missão, decidi ficar em São Tomé e Príncipe mais uns dias para acompanharmos com atenção a evolução da situação", referiu hoje, em conferência de imprensa na capital são-tomense, Zacarias da Costa, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste.

O responsável da missão de observação da CPLP às eleições legislativas, autárquicas e regional em São Tomé e Príncipe referiu que já existia uma decisão de que "ficariam aqui alguns" elementos, e comentou que optou, "enquanto chefe de missão", prolongar a sua permanência no país "para acompanhar com atenção o desenrolar dos acontecimentos".

"A missão não terminou propriamente", comentou.

Na segunda-feira, centenas de manifestantes protestaram junto à comissão eleitoral do distrito de Água Grande, afirmando que uma juíza estava a proceder a uma recontagem de votos, pelo que receavam uma manipulação dos resultados eleitorais.

"Tivemos oportunidade apenas de presenciar os acontecimentos de longe, não tão perto dos manifestantes, por questões de segurança", disse Zacarias da Costa, a propósito da violência que se registou e que obrigou à intervenção da Polícia de Estado.

Hoje, a Ação Democrática Independente (ADI, partido mais votado nas legislativas) acusou a oposição de cometer "fraude eleitoral" e pediu ao Tribunal Constitucional uma verificação dos "mais de 2.000" votos brancos e nulos e que, dizem, "quase todos são votos úteis a favor da ADI".

"Face aos desenvolvimentos, nós reiteramos a nossa confiança nas autoridades são-tomenses e apelamos para que as divergências que possam existir sejam resolvidas pelos mecanismos legais habituais e através dos órgãos competentes", referiu o antigo chefe da diplomacia timorense.

Zacarias da Costa recordou que os resultados eleitorais "já não estão" abrangidos pela missão, que se "concentra apenas no dia da votação, abertura e encerramento das urnas e contagem das mesas de assembleias de voto até ao anúncio dos resultados provisórios".

Segundo os resultados provisórios divulgados esta segunda-feira pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), a ADI venceu as eleições legislativas, alcançando 25 lugares na Assembleia Nacional (55 deputados), com 32.805 votos.

O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) teve 31.634 votos (23 deputados), enquanto a coligação PCD-MDFM-UDD recebeu 7.451 votos, conquistando cinco mandatos. Já o Movimento de Cidadãos Independentes de São Tomé e Príncipe conseguiu eleger dois deputados, com 1.659 votos.

De acordo com os dados da CEN, registaram-se 2.351 votos nulos e 885 votos brancos, além de 125 reclamações.

Com este resultado, a ADI ganhou com maioria relativa e está a procurar um entendimento com os deputados independentes, o que garantiria 27 mandatos parlamentares, um a menos que os lugares reunidos pelo MLSTP-PSD e a coligação, que reclamaram vitória com maioria absoluta nestas eleições.

Caso o Tribunal Constitucional altere os resultados eleitorais, a ADI pode eleger mais um deputado, o que seria suficiente para reconquistar a maioria absoluta.

Lusa

 


Comentários

Critério de publicação de comentários