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Governo timorense aprova nova estrutura acionista de empresa de cimento

07 de Novembro de 2018, 20:10

O Governo timorense aprovou hoje um novo modelo acionista da empresa Tl Cement, que vai construir uma fábrica de cimento nos arredores de Baucau, a segunda cidade do país, num dos últimos passos para que o projeto possa arrancar.


Em comunicado, o executivo explicou que a empresa "foi inicialmente constituída como sociedade por quotas, com responsabilidade limitada e capitais privados", mas com a entrada do Estado, o Governo pretende "que a mesma seja transformada em Sociedade Anónima, com responsabilidade ilimitada ou seja, TL Cement SA".

O assunto foi levado hoje a Conselho de Ministros pela Autoridade Nacional do Petróleo e Minerais (ANMP), que fez uma apresentação sobre a sociedade, da qual o Estado também será acionista.

James Rhee, responsável do projeto, confirmou à Lusa que a empresa obteve já a autorização ambiental e de exploração mineira, o que permite que potencialmente ainda este mês ou em dezembro arranquem os trabalhos.

"É muito positivo. Finalmente o projeto vai arrancar. Cheguei a Timor em 2012 e demorou seis anos a finalmente acontecer. É positivo, apesar da demora. Projetos idênticos na Austrália podem demorar até nove ou dez anos", afirmou.

"O objetivo mantém-se de ter o primeiro carregamento de cimento a ser enviado para a Austrália em 2021. A comunidade local está firmemente envolvida no projeto e isso também é muito positivo", disse.

O atual Governo incluiu uma dotação de 50 milhões de dólares (cerca de 43,5 milhões de euros) no Orçamento Geral do Estado para este ano, para o projeto da fábrica de cimento, no âmbito do "acordo especial de investimento celebrado com a TL Cement".

O projeto, o maior de investimento privado australiano em Timor-Leste, tem sido afetado, em parte, pela situação de instabilidade política em Timor-Leste que levou a eleições antecipadas e obrigou o país a viver com duodécimos desde janeiro.

A previsão é de que a construção do centro de formação e do cais de construção comece ainda este ano, com a fábrica de cimento e o cais principal a arrancar antes de julho de 2019.

A TL Cement antecipou a previsão de saída do primeiro cimento da unidade em julho de 2021 e que a operação esteja em pleno a partir do início de 2022. No total, a empresa prevê um investimento de cerca de 800 milhões de dólares (696 milhões de euros), com mil empregos diretos e três mil indiretos.

O projeto da TL Cement terá uma capacidade de produção de cerca de cinco mil toneladas de 'clinker' de cimento por dia e inclui a construção de uma ponte-cais, pedreiras, complexo industrial, parques de energia eólica e solar, entre outros.

Estudos realizados em 2014 apontavam para a existência de uma grande reserva de calcário na região que poderá ter uma vida de até 400 anos.

No final de novembro de 2016, o Conselho de Ministros do VI Governo Constitucional, liderado por Rui Araújo, aprovou a entrada do Estado no capital social da TL Cement.

Lusa

 


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