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Fretilin critica insulto de líder da coligação do Governo ao Presidente timorense

29 de Janeiro de 2019, 23:31

O maior partido timorense com assento parlamentar criticou hoje o insulto dirigido pelo líder da coligação do Governo, Xanana Gusmão, ao Presidente da República por este ter vetado o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2019.


Em comunicado, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) -- partido do Presidente da República -- considera que as palavras "ofensivas" de Xanana Gusmão [presidente do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT)] ajudam a criar um "ambiente tóxico".

"A nossa figura histórica, pessoa eminente da nossa luta pela independência nacional, Kayrala Xanana Gusmão, fez uma declaração muito chocante onde insultou o Presidente da República, Francisco Guterres Lú-Olo", refere o comunicado.

"O senhor Xanana utilizou essas palavras ofensivas porque o Presidente da República cumpriu de acordo com as suas competências constitucionais. Utilizou palavras que não devemos jamais admitir sejam utilizadas contra qualquer pessoa, por violarem as normas básicas da decência", refere a Fretilin.

Os comentários surgem na sequência de polémicas declarações proferidas no fim de semana por Xanana Gusmão, líder do maior partido da coligação do Governo, quando questionado pelos jornalistas sobre a decisão do Presidente das República vetar o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2019.

"Ai o PR vetou o Orçamento? O que é que ele diz? Ele é estúpido", disse Xanana Gusmão à chegada a Díli depois de uma viagem ao estrangeiro."Ele diz que entende, mas afinal o seu raciocínio não é lógico. Deve ter um curso 'supermie'", disse, referindo-se à popular comida indonésia de massa fina que é a base da alimentação de muitos na região.

Para a Fretilin "essas declarações são demasiado desrespeitosas contra qualquer pessoa, principalmente contra o Presidente da República, comandante supremo das Forças Armadas, pai da nação".

"Temos a responsabilidade de criar e fortalecer uma cultura positiva para nossos filhos, para a próxima geração de líderes. Não podemos permitir uma cultura que fomente a divisão em vez da unidade", refere o comunicado.

"Não podemos promover uma cultura que produza um ambiente tóxico, envenenado, que não ensinará aos nossos filhos como superar algum desentendimento. Devemos parar já com este tipo de política destrutiva, porque pode acabar com o nosso sonho para esta nação. Devemos parar com esta política porque o nosso povo e o nosso país, merecem uma política positiva e educativa", sublinha.

A bancada da Fretilin "lamenta fortemente" as declarações "e acreditamos que todo o Povo de Timor-Leste não admite nem aceita que se nos insultemos desta forma", refere o partido.

"O Presidente da República apresentou o seu veto acompanhado de recomendações para serem considerados pelo Parlamento Nacional. Este é o processo normal de todas as democracias", considera.

"A forma como iremos atravessar esta decisão depende da nossa vontade de trabalhar em conjunto e pôr o interesse nacional acima dos interesses pessoais e de grupo. Uma boa política tem que ser feita com base na moral e no respeito mútuo. Os nossos usos, costumes e cultura timorenses exigem que nos respeitemos de forma mútua, com amizade, como base para a nossa interação", sublinha.

O parlamento nacional tem previsto debater em sessão extraordinária na quinta-feira o veto do chefe de Estado, não sendo ainda conhecido se serão ou não apresentadas quaisquer propostas de alteração ao OGE ou se as bancadas do Governo tentarão apenas confirmar o voto.

Lusa

 


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