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Denúncias sobre acumulação de lixo em Timor-Leste suscitam ações de limpeza

08 de Fevereiro de 2019, 18:10

Imagens de acumulação de lixo em vários pontos de Timor-Leste, divulgadas nas redes sociais nos últimos meses, têm suscitado crescentes debates sobre o problema e ações espontâneas de limpeza de várias entidades públicas e privadas.


Escolas, organizações religiosas, equipas de funcionários públicos e grupos de cidadãos, têm levado a cabo várias ações de limpeza em zonas da capital Díli, Baucau e no enclave de Oecusse.

As ações surgem depois de um aumento no número de fotos e vídeos que dão conta da crescente poluição e acumular de lixo, especialmente ao longo das ribeiras e costa do país.

Hoje, por exemplo, foram divulgadas imagens de equipas de funcionários do Ministério das Obras Públicas a fazerem uma limpeza geral nos arredores do Ministério.

Na quinta-feira, funcionários e outros habitantes da zona, juntaram-se para limpar a zona da ponte de Noefefan, dias depois de serem divulgadas imagens que mostravam grande acumulação de lixo na ribeira.

As chuvas intensas que se têm sentido em várias zonas do país têm feito agravar, nos últimos meses, o problema do lixo que afeta Timor-Leste, especialmente na capital Díli.

vFalta de educação ambiental, maus hábitos no tratamento do lixo e deficientes sistemas de drenagem contribuem para o problema que tem vindo a crescer exponencialmente com o desenvolvimento económico e a crescente importação.

Timor-Leste não produz plástico, mas os supermercados e lojas estão cheias de produtos que recorrem a plástico a que se somam toneladas de garrafas de água vendidas diariamente na cidade.

É comum ver donos de lojas ou restaurantes a deitar dejetos nos canais de irrigação ou ribeiras.

Apesar de haver cada vez mais contentores de lixo -- são ainda insuficientes --, nos locais onde existem, os cidadãos optam, na maior parte dos casos, por deitar o lixo no chão ao lado dos contentores, que depois -- especialmente agora na época das chuvas -- é arrastado para o mar.

Um membro do Movimento Tasi Mos, Gally Soares Araújo, reconhece a importância das redes sociais neste combate.

"Tendo em conta que mais de metade da população é utilizador ativo das redes social, achamos que poderão ser um meio eficaz para comunicar. E a comunicação é fundamental. Especialmente porque estamos a falar de populações maioritariamente jovens e estudantes, que produzem lixo de forma inconsciente", disse o membro da associação, que iniciou em 2015 as ações de sensibilização e proteção ambiental e as primeiras campanhas de limpeza.

Araújo reitera, porém, que o problema tem que ser resolvido de outra forma, não bastando ações de limpeza, por mais importantes que sejam, quando não há intervenção junto de comunidades "que vivem ao lado das ribeiras e deitam o lixo para a ribeira".

"Falta soluções claras que passam por uma intervenção mais eficaz por parte do Governo", sublinhou.

Gally Soares Araújo dá como exemplo a falta de caixotes do lixo ou até a recolha irregular em zonas que são bastante frequentadas por turistas nacionais e internacionais.

"Esse tipo de movimento, de ação concreta por parte de entidades na limpeza é positivo, mas espero que não seja só pontual, seja uma ação que suscita medidas mais concretas", afirmou.

"Não basta ir limpar, é tomar consciência de não deitar lixo para o chão. É preciso lidar adequadamente com o lixo e que toda a sociedade se envolva para termos resultados duradouros", afirmou.

Lusa

 


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