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Banco Mundial alerta para concentração de pobreza extrema na África subsariana

12 de Abril de 2019, 20:43

O presidente do Banco Mundial (BM), David Malpass, alertou ontem que, em 2030, nove de dez pessoas consideradas pobres vão viver em África, principalmente na África subsariana, onde ocorre o maior crescimento de pobreza extrema.


O aviso foi feito na primeira conferência de imprensa de David Malpass como presidente do BM, em Washington, nas reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde o norte-americano disse que em 2030, nove de dez pessoas consideradas extremamente pobres vão viver em África.

Apesar de o número de pessoas a viver em condições de pobreza extrema ter descido desde a década de 1990, o BM considera muito preocupante que a maioria dos atuais sete milhões de pobres estejam principalmente concentrados no continente africano.

Na África subsariana estão localizados seis países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

O presidente do BM avisou que a acumulação de dívida nos países menos desenvolvidos é uma forma de estes países crescerem economicamente, desde que o processo seja feito de forma transparente.

Moçambique é um país com dívida muito elevada, e várias consultoras estimam que a dívida pública já supere os 100 por cento do Produto Interno Bruto, um valor considerado insustentável pelos analistas.

O Estado moçambicano está em mãos com o escândalo das chamadas “dívidas ocultas”, após ter assumido empréstimos duvidosos de cerca de dois mil milhões de euros à margem da lei, num caso de corrupção.

David Malpass referiu que, para Moçambique, recentemente afetado pelo ciclone Idai, o Banco Mundial está a trabalhar em projetos e programas de distribuição efetiva de recursos.

O Banco Mundial anunciou no mês passado que vai financiar Moçambique com 90 milhões de dólares (quase 80 milhões de euros), no âmbito do programa de gestão de acidentes e riscos (DRM), incluindo a minimização das consequências da passagem do ciclone Idai.

Na região do continente africano, o crescimento previsto é de menos de um por cento até 2021, o que aumenta o risco de concentração de pobreza extrema.

A desaceleração da economia está a acontecer de forma global, o que envia três avisos preocupantes para o BM: o declínio das reformas estruturais nas principais economias, stresse financeiro em grandes economias emergentes e elevada incerteza política, a nível global.

Lusa

 


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