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Campanha eleitoral termina na Indonésia com Joko Widodo a manter liderança nas sondagens

15 de Abril de 2019, 20:07

Por António Sampaio

Os mais de 192 milhões de eleitores indonésios estão em período de reflexão antes de irem às urnas, quarta-feira, com o atual Presidente, Joko Widodo, a manter-se à frente do seu rival, Prabowo Subianto, segundo as últimas sondagens.


Depois de uma intensa campanha que levou as poderosas máquinas políticas indonésias pelo vasto arquipélago, os eleitores têm agora dois dias para pensar, ainda que os inquéritos mostrem que há cada vez menos indecisos.

Uma das últimas sondagens, conduzida pela Saiful Mujani Research & Consulting (SMRC) este mês, mostra que Joko Widodo – Jokowi como é conhecido – lidera com 56,8% de voto, com Prabowo Subianto a ficar-se pelos 37%, ainda que ganhando cinco pontos percentuais face ao inquérito de março.

Sondagens divulgadas pela Charta Politika, Poltracking e Indo Barometer no sábado mostraram resultados similares, com a vantagem de Jokowi a fixar-se entre os 13,6 e os 19,8 pontos percentuais.

Em todas as sondagens os eleitores indecisos são já de menos de 10%.

O resultado não é uniforme no país, com Prabowo a surgir mais forte em zonas como Sumatra e Banten e na capital Jacarta, e Jokowi a liderar em zonas como Java Ocidental, Kalimantan e Sulawesi.

Em Java Central, Java Oriental, Bali, Nusa Tenggara Ocidental, Nusa Tenggara Oriental, Maluku e Papua, no entanto, a vantagem de Jokowi é ainda mais ampla, chegando a ser de mais de 50 pontos percentuais em algumas zonas.

Porta-vozes da campanha de Prabowo denotam o forte crescimento na reta final da campanha, enquanto os de Jokowi sublinham o facto do eleitorado ser “maduro” e de uma ampla maioria preferir o atual chefe de Estado.

Os últimos comícios realizados este fim de semana mantiveram a tónica dos anteriores, com muitas referências a questões económicas e de infraestruturas. Jokowi terminou a sua campanha com o que se assemelhou a um concerto de música com alguns grandes nomes do rock e pop indonésio.

Os argumentos finais foram trocados no último dos cinco debates presidenciais, com Jokowi e Prabowo a debaterem questões como economia e bem-estar social, financiamento, investimento e indústria.

Jokowi defendeu o seu primeiro mandato, destacando obras importantes feitas em todo o país e medidas para fomentar setores como o turismo.

Prabowo, por seu lado, denunciou o que disse ser o “caminho errado” da economia, com excessivas apostas em infraestruturas e poucas no desenvolvimento da industrialização.

A questão do enorme défice comercial da Indonésia, particularmente com o seu maior parceiro comercial, a China, também surgiu durante o debate.

As eleições de quarta-feira ocorrem quando a maior economia do Sudeste Asiático luta para responder à situação regional e global menos favorável.

A economia da Indonésia desacelerou nos últimos anos, com um crescimento de cerca de 5% ao ano, abaixo dos 7% que Jokowi prometeu quando se candidatou e venceu em 2014.

No ano passado, a economia cresceu 5,17%, a mais rápida desde 2013, e o objetivo do governo é registar um crescimento de 5,3% este ano.

Enquanto na Indonésia em si, arranca a reflexão, em vários países cidadãos indonésios votaram este fim de semana, com filas em embaixadas como as de Díli, Singapura ou Kuala Lumpur.

Os números do complexo ato eleitoral na terceira maior democracia do mundo mostram a dimensão logística do processo de 17 de abril, em que são eleitos vários níveis de governação.

Além do Presidente e vice-Presidente, os eleitores escolhem os 711 membros das duas câmaras da Assembleia Consultiva Popular (MPR), 575 no Conselho Representativo Popular (DPR) e 136 no Conselho Representativo Regional (DPD).

Em jogo estarão ainda mais de 19.500 lugares em mais de 2.000 distritos eleitorais legislativos a nível regional, municipal e local. Há 16 partidos concorrentes, quatro estreantes.

Dados da Comissão Nacional de Eleições (KPU) notam que os 192,8 milhões de eleitores podem escolher entre mais de 245 mil candidatos a 20.528 lugares no parlamento nacional, em estruturas legislativas nas 34 províncias e em mais de 500 distritos e municipalidades.

As urnas abrem entre as 07:00 e as 13:00 (locais) e os votos são contados, em público, por funcionários eleitorais que mostram cada boletim a fiscais dos partidos e das candidaturas, observadores e a quem queira acompanhar a contagem.

Lusa

 


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