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Portugal-Indonésia, uma relação em que perdura o desconhecimento mútuo

29 de Abril de 2019, 20:10

O embaixador português em Jacarta considerou que a evolução económica de Portugal e a atual realidade do país são ainda praticamente desconhecidas na Indonésia, que oferece grandes oportunidades a empresários portugueses.


"Estamos a trabalhar no sentido de tornar a realidade portuguesa conhecida na Indonésia porque há ainda uma perceção vaga da evolução que Portugal conheceu nos últimos anos e no seu desenvolvimento económico, científico e cultural", disse Rui Carmo, em entrevista à Lusa em Jacarta.

"No mesmo sentido, temos incentivado os agentes económicos portugueses a tomarem contacto com a realidade indonésia a fim de avaliarem das possibilidades de estabelecerem contactos económicos", disse.

Rui Carmo, o quinto embaixador de Portugal em Jacarta, conversou com a Lusa numa altura de normalização das relações entre os dois países, que viveram 24 anos de relações diplomáticas cortadas, na sequência da invasão indonésia de Timor-Leste, com os laços bilaterais a começarem a reatar-se em 1999, com a abertura de secções de interesses.

O posterior restabelecimento de relações diplomáticas e a reabertura da embaixada, recorda Rui Carmo, "abriu um novo capítulo nas relações diplomáticas entre os dois países" que, desde aí, "têm conhecido uma evolução muito positiva".

O diplomata considera o ponto alto a visita em 2012 que o então Presidente Cavaco Silva efetuou à Indonésia e, dois anos depois, a deslocação a Portugal do chefe de Estado indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono.

"Quando apresentei credenciais ao Presidente Joko Widodo (...) reafirmei o empenho de Portugal em contribuir para um aprofundamento do relacionamento bilateral, quer no plano político, isto é um aumento dos contactos a nível político, quer a nível cultural, dados os laços históricos e culturais que unem os dois países, quer no plano económico, com a criação de condições para que os agentes económicos portugueses e indonésios possam intensificar os seus contactos e fazer negócios", disse.

Hoje, referiu, em parte também pela distância física, "há ainda um desconhecimento em relação à realidade, quer económica, quer social e cultural da Indonésia".

Apesar da dimensão do país -- mais de 260 milhões de habitantes, espalhados por mais de 17 mil ilhas -- e da sua forte economia, um dos poderes do continente asiático, a comunidade portuguesa na Indonésia é ainda reduzida.

Rui Carmo falou em cerca de 200 pessoas, uma grande parte na ilha de Bali e outra em Jacarta, onde muitos são "quadros de empresas estrangeiras" e onde ainda é reduzida a presença de empresários.

No outro sentido, disse, tem-se evidenciado nos últimos anos "um aumento no número de indonésios que mostram interesse em visitar Portugal", em particular desde 2017, por ocasião do centenário das aparições de Fátima.

Ainda que seja maioritariamente muçulmana, a Indonésia tem uma vasta população católica.

"Há um interesse acrescido que gostaríamos que pudesse vir a ser reforçado e da nossa parte tudo faremos para facilitar que o número de turistas seja crescente nos próximos tempos", disse o diplomata.

Deixando uma "avaliação francamente positiva" do relacionamento bilateral, Rui Carmo disse que espera, num futuro próximo, que possa haver novas visitas dos chefes de Estado dos dois países.

Os próximos anos podem igualmente ser frutíferos nos laços entre os dois povos e entre os agentes económicos, com um "universo cultural a explorar", em particular em 2020 e 2021 quando também na Indonésia se assinalarão os 500 anos da viagem de circum-navegação.

"No mesmo sentido, continuaremos a envidar todos os esforços para encorajar os nossos agentes económicos a explorar oportunidades de negócios na indonésia e, junto dos agentes económicos indonésios a mostrar a nova realidade portuguesa", disse.

Lusa

 


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