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Timor-Leste regista 2ª maior melhoria do sudeste asiático em liberdade de imprensa

06 de Maio de 2019, 19:10

Timor-Leste melhorou onze lugares no índice de liberdade de imprensa no último ano, mas continuam a registar-se casos de intimidação de jornalistas e de interferência nos 'media' nacionais, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras.


Timor-Leste é o único dos países da região no grupo de países “em situação satisfatória”, estando agora em 84.º lugar no ranking de 180 países.

Entre os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), só a Malásia e a Tailândia registam melhorias, subindo respetivamente 22 e quatro lugares, para 123.º e 134.º no índice, apesar de permanecerem no grupo de países com “situação difícil”.

Grupo de que fazem parte a Indonésia, em 124º e Singapura, em 151º, com os restantes a caírem todos um lugar: Filipinas (134º), Myanmar (138º), Camboja (143º), Brunei (152º) – todos em “situação séria” – e Laos (171º) e Vietname (176º), ambos no grupo de países “em situação muito séria”.

O relatório de 2019 da organização refere que só este ano se registaram em Timor-Leste “pelo menos três casos de intimidação e de interferência”, incluindo o processo de despedimento do antigo presidente Conselho de Administração da Rádio e Televisão de Timor Leste (RTTL), Gil da Costa.

Um outro jornalista da RTTL denunciou ter sido alvo de ameaças por parte do chefe de gabinete do secretário de Estado da Comunicação Social (SECOMS), por comentários que publicou nas redes sociais.

Ainda na RTTL jornalistas denunciaram junto do Conselho de Imprensa que uma assessora do novo presidente da instituição tinha pedido a remoção de algum conteúdo noticioso do noticiário da noite.

Na análise da situação dos 'media' em Timor-Leste, os RSF consideram que as condições dos jornalistas “ainda estão longe do ideal”, com muitos nas autoridades a “não entenderem o trabalho dos jornalistas”.

No setor privado, por outro lado, “muitas grandes empresas e membros da elite ainda oferecem dinheiro ou envelopes aos jornalistas para a cobertura de algumas notícias”, com dificuldade ainda em distinguir entre noticias verdadeiras e rumores.

“Infelizmente, muitos membros dos media de Timor-Leste muitas vezes ficam aquém dos padrões profissionais e não aderem ao código de ética e princípios do jornalismo. Alguns, por exemplo, são rápidos demais a publicar sem verificação e contribuem para a disseminação de notícias falsas e, às vezes, até para conflitos”, refere o relatório.

“Há também aqueles que têm medo de criticar os que estão no poder e acabam a praticar autocensura. Além disso, o fracasso de alguns jornalistas em pesquisar e melhorar a compreensão dos assuntos que estão a acompanhar leva a muitas notícias sem análise e conteúdo”, refere.

Para o futuro, o relatório destaca os debates sobre as redes sociais no Parlamento e uma proposta de lei para regulamentar o cibercrime.

Lusa

 


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