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Ramos-Horta: Empresas de vários países, incluindo europeias, interessadas no Greater Sunrise

08 de Julho de 2019, 18:26

O ex-presidente da República José Ramos-Horta disse à Lusa que vários investidores e empresas, incluindo europeias, manifestaram já interesse em participar no projeto de desenvolvimento dos campos de Greater Sunrise no mar de Timor.


“Há várias empresas europeias, como a Total, que estão muito interessadas em acolher uma parte importante de participação no downstream. Outras estão interessadas no upstream. Timor-Leste controlará no donwstream. Isso é uma questão chave da política do Governo”, afirmou José Ramos-Horta em declarações à Lusa.

“Não há falta de interessados. E há empresas chinesas que gostariam de ser eles os únicos investidores porque consideram que isso tornaria mais fácil tomar as decisões, mas essa não é a preferência timorense”, disse ainda.

Ramos-Horta disse que conversou demoradamente com Xanana Gusmão sobre este assunto e que o líder histórico timorense “discorda de ser apenas exclusivamente investidores de um país ou de uma empresa” optando por “uma mistura, sejam australianas, chinesas, americanas ou europeias, e com modelos diferentes de financiamento”.

“Xanana tem precisamente essa preferência de ter vários parceiros. Isso tem vantagens. Timor terá sempre a posição decisiva, especialmente no downstream e assim beneficiará com milhares de milhões de dólares de receitas”, referiu.

“O plano de negócios que Timor preparou inclui várias empresas e investidores”, sublinhou.

José Ramos-Horta criticou várias noticias que têm surgido recentemente na imprensa australiana, citando académicos do país, que tentam ‘vender’ a ideia de que a China controlará todo o projeto.

“O mal de alguns académicos é que, para fazer carreira, vão escrevendo ensaios e uma das vítimas desses ensaios que enriquece a carreira de alguns académicos na Austrália é Timor-Leste. E depois os jornais citam esses fulanos e nem sequer falam com timorenses”, disse.

“Depois surgem notícias que Timor-Leste vai pedir empréstimos de 15 mil milhões à China. Nunca se falou nisso, A política do Governo e em particular a determinação de Xanana Gusmão que é o responsável pelo projeto Tasi Mane é diversificar, ter um naipe relativamente alargado de investidores”, considerou.

Admitindo grande interesse da China pelo projeto, Ramos-Horta disse que isso acabará por beneficiar Timor-Leste já que pode trazer outros parceiros à mesa, como a Austrália, a Coreia ou o Japão.

“Nós não queremos entrar nesse jogo estratégico de rivalidades. Isso deixamos aos grandes para jogarem. Mas a consequência disso é que Timor benéfica e está a ter boas relações com todos eles”, referiu.

O projeto do Greater Sunrise constitui o maior investimento de sempre do Governo timorense, que já utilizou 650 milhões de dólares do fundo petrolífero para comprar uma participação maioritária no consórcio que vai realizar o componente de ‘upstream’ do projeto.

Francisco Monteiro, presidente da petrolífera Timor Gap – que comprou a participação em nome do Estado timorense - disse que Timor-Leste quer evitar recorrer ao Fundo Petrolífero para financiar os custos de capital de até 12 mil milhões de dólares norte-americanos para o desenvolvimento do projeto do gasoduto para Timor-Leste e processamento na costa sul.

Após o início da produção, é esperado um retorno financeiro que pode alcançar os 28 mil milhões de dólares, explicou.

Globalmente, incluindo o Greater Sunrise, a Timor Gap diz que o país tem um potencial equivalente a mais de 6,3 mil milhões de barris de petróleo por explorar nos próximos 50 anos, com um valor de 378 mil milhões de dólares.

Esse potencial de exploração poderá representar uma injeção de 223 mil milhões de dólares na economia, em serviços como engenharia, desenvolvimento, manutenção e operações, e benefícios fiscais e rendimentos públicos de mais de 47 mil milhões.

Lusa


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