Página gerada às 12:59h, terça-feira 22 de Outubro

ONG timorenses preparam programa complementar para 20 anos do referendo

14 de Agosto de 2019, 20:02

Organizações não-governamentais timorenses estão a preparar várias ações no âmbito dos 20 anos do referendo da independência de Timor-Leste, que visam nomeadamente promover a justiça social e renovar a solidariedade internacional, anunciaram hoje.


Berta Antonieta, da organização La’o Hamutuk, uma das principais promotoras do evento, explicou à Lusa que não se trata de competir com os eventos oficiais organizados pelo Governo, mas sim de “complementar” a agenda com outro tipo de acontecimentos.

Trata-se, disse, de reconhecer o papel da solidariedade internacional com Timor-Leste que contribuiu para a independência do país e, ao mesmo tempo, para chamar a atenção para alguns problemas que continuam a sentir-se.

“Já conseguimos os nossos direitos soberanos, há 20 anos, e agora com fronteira marítima. Mas no dia a dia as pessoas continuam sem acesso a água limpa, saúde e educação básica, nutrição adequada”, disse.

“Não queremos competir com os eventos do Governo, queremos complementar apenas o que o Governo está a fazer. Quanto mais eventos melhor, apostando numa celebração do povo e da sociedade civil”, explicou.

Sob o tema “fortalecer a solidariedade para a autodeterminação e a justiça social”, os eventos estão a ser organizados pelo Comité Popular para os 20 anos da Consulta Popular, que inclui, além da La’o Hamutuk, a Fongtil (Fórum das ONG de Timor-Leste) e o Justice Sistem Monitoring Program (JSMP).

Participam ainda a Associação HAK, a FOKUPERS, o KSI, a ACbit, a OXFAM, o Grupo Feminista e o Movimento das Letras.

“Há vinte anos, com a vossa ajuda, o povo de Timor-Leste votou esmagadoramente para alcançar a nossa independência. Somos agora uma nação orgulhosa, democrática e soberana, lutando com os problemas políticos, económicos, sociais e ambientais com que se confrontam as pessoas em todo o mundo”, refere uma declaração dos organizadores.

O programa inclui uma conferência internacional, uma exposição e outros eventos – incluindo uma marcha pelas ruas de Díli - para celebrar aniversário do referendo em que os timorenses votaram pela independência.

“Queremos dar nova energia ao espírito de solidariedade, trocando estratégias com colegas ativistas em desafiar governos que reprimem o seu povo, fortalecendo redes para lutar contra a impunidade e reforçando a advocacia global para garantir que os governos respeitam e cumprem os direitos humanos básicos de todas as pessoas, especialmente as mais vulneráveis”, refere-se na declaração.

“Destacaremos a autodeterminação para o povo da Papua Ocidental e do Saara Ocidental e da Palestina”, sublinha, notando que serão ainda partilhadas experiências sobre o setor do petróleo em Timor-Leste.

Lusa

 


Comentários

Critério de publicação de comentários