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Mari Alkatiri diz que a história avaliará a sua ação na liderança do enclave de Oecusse

08 de Novembro de 2019, 00:17

O ex-presidente da Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), Mari Alkatiri, disse ontem que a história avaliará o seu papel no desenvolvimento do enclave timorense e o que a sua gestão deixou na região.


“Deixei o que deixei. Os resultados estão aí. Agora a história fará justiça”, afirmou o secretário-geral da Fretilin, na oposição em Timor-Leste, em declarações à Lusa.

Alkatiri comentou assim a decisão do Governo de nomear José Luis Guterres, ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros para presidir à RAEOA.

“Fiquei à espera de que o Governo tivesse capacidade de indicar alguém melhor que eu. Pelos vistos… a história dirá”, afirmou, sem tecer mais comentários sobre a escolha.

Guterres, que foi indigitado pelo Governo como novo embaixador timorense em Genebra, é dirigente da Frente Mudança (FM), partido que nasceu de uma cisão da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e que fez campanha com a coligação do Governo nas últimas eleições.

Recorde-se que a autoridade regional tem estado a ser liderada interinamente por Arsénio Bano, ex-número dois de Alkatiri que terminou o seu mandato em 31 de julho.

“Meu sucessor não é. Eu já deixei Oecusse há três meses”, afirmou Alkatiri.

A questão da liderança da autoridade tem estado envolta em polémica desde uma promessa eleitoral do atual primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, de que afastaria Alkatiri do cargo se a coligação do executivo – a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) – vencesse as eleições.

Essa promessa acabou por não ser cumprida – Alkatiri terminou o seu mandato de quatro anos – mas a polémica manteve-se porque o Governo decidiu alterar a legislação relativa à nomeação do presidente da RAEOA, antes do final do mandato.

Em concreto, e a par de outras mudanças, as bancadas do Governo no parlamento retiraram o chefe de Estado – atualmente Francisco Guterres Lu-Olo, que é ainda presidente da Fretilin - do processo de nomeação do responsável regional.

O chefe de Estado acabou por pedir a fiscalização preventiva do diploma – com o Tribunal de Recurso a considerar que as mudanças não são inconstitucionais – pelo que o Presidente acabou por promulgar o texto.

Alkatiri anunciou em 19 de julho a cessação definitiva de funções no final desse mês, descontente com a alteração à lei de criação da região.

A mudança, escreveu numa carta ao primeiro-ministro, “(...) reflete um conceito político no qual não poderei rever-me e do qual inevitavelmente me afastarei, em respeito pela minha integridade e princípios pessoais".

O Governo ainda não anunciou a data da tomada de posse de José Luis Guterres.

Lusa

 


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