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Receitas de novo campo de gás no Mar de Timor podem chegar aos mil milhões de dólares

11 de Novembro de 2019, 22:32

O regulador petrolífero timorense disse hoje que um novo campo de gás a ser desenvolvido no Mar de Timor, numa parceira entre Timor-Leste e a Sunda Gás, poderá representar receitas de mil milhões de dólares.


“As estimativas é de que o projeto terá receitas de mil milhões de dólares, sujeitos a flutuação. Temos cerca de 0,7 TCF (triliões de pés cúbicos) de gás”, disse hoje à Lusa o presidente da Autoridade Nacional do Petróleo e Minerais (ANPM), Gualdino da Silva.

“Mas temos ao lado uma estrutura que queremos testar e que, se nos permitir chegar a 1,2 ou 1,3 TCF tornará o projeto ainda mais viável economicamente”, frisou.

Gualdino da Silva falava à Lusa depois de a petrolífera TimorGap, a ANPM e a petrolífera Sunda Gás, com sede em Singapura, assinarem um contrato de partilha de produção para exploração de reservas de gás no Mar de Timor, em concreto no campo TL-SO-19-16, conhecido como Chuditch.

Silva explicou que nos primeiros dois anos, em que a Timor Gap não fará qualquer investimento, a Sunda Gás vai “processar dados sísmicos e refazer os mapas” da estrutura decidindo depois se perfurarão também nessa zona.

“Há um interesse renovado no mar de Timor depois da entrada em vigor do tratado de fronteiras marítimas entre Timor-Leste e a Austrália”, disse.

No caso do campo - uma zona de 357 quilómetros quadrados no limite sudeste do que era a antiga zona conjunta australiano-timorense de desenvolvimento petrolífero, agora águas timorenses -, as negociações começaram antes da ratificação do tratado.

“A empresa estava muito interessada em assinar um contrato com Timor-Leste depois da entrada em vigor do tratado. Com o tratado ratificado, concluímos a negociação e podemos avançar”, afirmou.

Gualdino da Silva disse que é igualmente positivo o facto de o United Overseas Bank, com sede em Singapura, ter “dado o seu acordo para apoiar financeiramente este projeto”.

“É importante ter uma empresa registada na ASEAN e ter as garantias de um banco da ASEAN. Isto é muito significativo”, disse.

Relativamente ao negócio em si, o responsável da ANMP explicou que o acordo prevê a formação de consórcio com 75% para a Sunda Gás e 25% para uma subsidiária da Timor Gap, a Chuditch Unipessoal, Lda.

Uma partilha, explicou, que estava acordada previamente e que seguiu precedentes idênticos de outros PSC no Mar de Timor, com a SundaGas a “assumir o risco associado”.

Ainda assim, frisou, as receitas para Timor-Leste são maiores, já que o Estado recebe “40% dos lucros” – valor que “irá diretamente para o Fundo Petrolífero” – com a TimorGap a receber 25% dos restantes 60%.

Na primeira fase da exploração, a TimorGap não terá de fazer qualquer investimento.

Andy Butler, responsável da Sunda Gás, saudou a assinatura do PSC, afirmando que a primeira prioridade “será melhorar o conhecimento detalhado do significado dos recursos de gás do Chuditch e identificar que poço será primeiro”.

“Faremos isso em paralelo a outras análises de prospeção, criando depois um portfolio completo de perfuração”, explicou.

Lusa

 


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