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Oposição australiana quer que Governo apoie manutenção de plataforma no Mar de Timor

21 de Novembro de 2019, 21:47

Senadores de dois partidos australianos defenderam hoje que o Governo da Austrália deve intervir para evitar a venda ou desmantelamento de uma plataforma flutuante no Mar de Timor.


Em causa está um eventual desmantelamento, a um custo de 200 milhões de dólares australianos, de uma plataforma flutuante de petróleo no Mar de Timor, considerada uma “bomba-relógio ambiental”.

Reguladores do setor ordenaram em julho o fecho da Northern Endeavor, uma das maiores plataformas de petróleo 'offshore' da Austrália, no Mar de Timor, depois de comprovarem ferrugem, a falta de um sistema de combate a incêndios e "riscos de ocorrência de um grande acidente".

Essa decisão obrigou a empresa proprietária, a Northern Oil and Gas (NOGA) a iniciar um processo de “administração voluntária”, um mecanismo de salvamento da empresa que implica a nomeação de um administrador independente que analisa as opções disponíveis.

Os partidos críticos do Governo consideram que a decisão faz aumentar o risco de segurança petrolífera da Austrália, abrindo mais um caminho para que a China possa aumentar a sua influência na região, incluindo em Timor-Leste.

Rex Patrick (da Aliança do Centro) e Pauline Hanson (do partido de extrema-direita One Nation) querem que o Governo australiano intervenha para evitar o fecho da plataforma flutuante.

Os dois senadores querem reunir-se com o Governo para pressionar o executivo a dar apoio para que o navio continue a operar, permanecendo “em mãos australianas”.

Hanson considera que a NOGA foi tratada injustamente e Patrick refere que o fecho da plataforma pode ter "implicações significativas na segurança nacional", tendo obrigado a empresa a entrar em administração voluntária.

“O governo deve focar a sua atenção em encontrar uma solução, para não enfraquecer ainda mais a já terrível situação de segurança de combustível da Austrália, exacerbando os erros de política externa e de segurança que têm sido feitos na costa sul de Timor-Leste", disse Patrick.

“No contexto da terrível situação de segurança de combustíveis líquidos da Austrália, ter esse tipo de capacidade a aproximadamente 550 km a noroeste de Darwin é um ativo nacional significativo”, afirmou.

A KPMG, a empresa administradora nomeada, tem estado a tentar encontrar um comprador para a plataforma, que terá que gastar mais de 50 milhões de dólares australianos para reparar a embarcação no estaleiro em Darwin.

Se não for possível encontrar um comprador, os campos petrolíferos de Laminaria e Coralina – que estão em águas de Timor-Leste – teriam que ser desativados, o que obrigaria a tapar várias cabeças dos poços para impedir a fuga de 24 milhões de barris de petróleo para o Mar de Timor.

Estima-se que o custo da operação, que ronda os 124 milhões de euros, tenha que ser pago pelo Governo australiano, ou segundo os 'media' daquele país, pela antiga proprietária dos poços, a Woodside Petroleum.

Angus Karoll, proprietário da NOGA – que comprou a Northern Endeavour à Woodside em 2016, disse à ABC que ainda espera conseguir que a plataforma volte à produção, afirmando que descomissioná-la “não é o plano” da empresa.

Karoll apelou aos reguladores para que levantem a sua proibição de extrair petróleo com navios com corrosão, permitindo que sua empresa saia da administração voluntária, insistindo que as reparações necessárias podem ser feitas no mar.

Os campos de Coralina e Laminária, que estão praticamente no final da sua vida útil, produziram uma média de 2.944 barris por dia no primeiro trimestre do ano, tendo custado cerca de mil milhões de dólares em investimentos em 1999.

Desde que começou a ser explorado, produziu mais de 203 milhões de barris com as estimativas de receitas a serem de 6,8 mil milhões de dólares e o Governo australiano a receber mais de 2,2 mil milhões de dólares, segundo a organização não-governamental (ONG) La'o Hamutuk.

Lusa

 


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