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Acesso a informação e fontes em Timor-Leste é grande desafio

24 de Novembro de 2019, 08:56

O embaixador da União Europeia em Díli disse ontem que o acesso a informação e a fontes em Timor-Leste é um dos maiores desafios dos jornalistas, condicionando a sua capacidade de contribuir para o controlo das finanças públicas.


“A constituição aponta o direito à informação como um dos pilares do Estado. Mas continua a ser um desafio importante o acesso às fontes”, disse Andrew Jacobs, no encerramento de uma formação de jornalistas.

“Transparência e direito à informação são pré-requisitos muito importantes para as auditorias sociais e é necessário um regime eficaz de transparência, divulgação proativa, obrigatória e partilha de todos os documentos relacionados com desenvolvimento e gastos públicos”, afirmou.

Cerca de 20 jornalistas timorenses concluíram ontem um atelier de jornalismo em assuntos económico-financeiros, organizado no âmbito de esforços de melhoria da capacidade de controlo das finanças públicas em Timor-Leste.

Jacobs destacou a importância da formação para ajudar a fortalecer a capacidade de “supervisão pública da gestão financeira do Estado”, defendendo mais ações em conjunto com a sociedade civil para trabalhar na erradicação da corrupção.

“Meios de comunicação social são fóruns onde será discutida a eficácia, transparência e legalidade de políticas de finanças publicas do país”, disse, renovando o compromisso da UE em apoiar parceiros estatais e não estatais.

Neste caso trata-se, disse, de “aprofundar competências dos jornalistas timorenses para o exercício de jornalistas nas áreas de assuntos económicos”, dotando os jornalistas de capacidade para traduzir documentos técnicos em “informação simples e direta, percetível para toda a população”.

Cristina Faustino, adida da Cooperação da Embaixada de Portugal em Díli, disse que se torna evidente a evolução dos formandos jornalistas timorenses.

“Tem sido positivo ouvir dos formadores satisfação pelo interesse manifestado pelos formandos, pela evolução durante a ação de formação. Sentimos que estamos a apoiar quem quer contribuir para o desenvolvimento de Timor-Leste", disse.

“Formar jornalistas constitui um dos objetivos do PFMO, traduzido em apoiar o desenvolvimento e consolidação da capacidade técnica dos jornalistas, a capacidade de produzir notícias e artigos nos temas económico-financeiros”, afirmou.

O jornalista João Pedro Fonseca, da Lusa, também destacou a dificuldade no acesso às fontes.

“Há ainda muitas dificuldades que se sentem aqui, por exemplo, muitas dificuldades em chegar a fontes”, afirmou.

“Dizem-me também que fazemos muito o discurso político e pouco mais. Vão ter que fazer mais do que isso. Os timorenses estão à espera disso. O vosso dever é com a verdade, com a população, com o país, não com patrões ou poderes políticos”, afirmou.

O ateliê de jornalismo em assuntos económico-financeiros, que teve como formador o jornalista João Pedro Fonseca, insere-se nos programas de formação da “Parceria para a melhoria da prestação de serviços através do reforço da Gestão e Supervisão das Finanças Públicas em Timor-Leste” (PFMO).

A ação insere-se nas parcerias entre o Centro Protocolar de Formação Profissional de Jornalistas (Cenjor) e o PFMO para o fortalecimento dos profissionais de comunicação social em Timor-Leste.

O curso visou “a capacitação dos jornalistas timorenses em matéria de jornalismo em Assuntos Económico-Financeiros para a aplicação das respetivas ferramentas necessárias para analisar, questionar e traduzir informação complexa para uma linguagem compreensível por todo o povo dentro da temática das finanças públicas, inseridas no contexto de Timor-Leste”, de acordo com uma nota dos organizadores.

O PFMO é um projeto cofinanciado pela UE, no valor de 12 milhões de euros e pelo Camões, no valor de 600 mil euros, para reforçar o planeamento, a gestão, a auditoria, a monitorização, a responsabilização e a supervisão do uso das finanças públicas em Timor Leste, para uma melhor prestação de serviços públicos.

Conhecido pelo lema ‘Osan Povu Nian, Gere Ho Di’ak’ (Gerir bem o dinheiro público), o PFMO tem entre os seus objetivos o apoio e reforço ao sistema de pesos e contrapesos dos atores estatais e não-estatais, para o fortalecimento da participação das entidades nacionais no processo de tomada de decisão e supervisão das finanças públicas.

Paralelamente está a decorrer um outro curso de jornalismo radiofónico a vinte jornalistas de rádios comunitárias de várias zonas de Timor-Leste.

Lusa

 


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