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Fundação Mahein alerta para falta de regulamentação sobre consumo de álcool no país

03 de Dezembro de 2019, 21:54

A Fundação Mahein alertou hoje que a falta de regulamentação no consumo de álcool resulta em confrontos e acidentes de viação, mas, sobretudo, no aumento da violência doméstica no país.


“É dada muita atenção às manifestações públicas de abuso de álcool: acidentes de trânsito e mortes. A pressão social para um fluxo livre de bebidas alcoólicas em casamentos, festas e cerimónias culturais leva alguns eventos a transformarem-se em combates alimentados por álcool”, indicou a ONG Fundação Mahein (FM), em comunicado.

“Mas muito mais omnipresentes são os casos de homens cuja embriaguez pública resulta, não em confrontos na rua, mas na sua própria casa com o abuso da mulher e dos filhos”, referiu.

O diretor interino da FM, João Almeida, explicou que os dados confirmam o impacto do álcool na violência doméstica, com 38% das mulheres timorenses a sofrerem violência às mãos dos maridos, “com o denominador comum mais citado pela violência a ser a embriaguez dos maridos”.

De acordo com vários estudos, 60% das mulheres alvos de violência doméstica reportaram também que os maridos ficam bêbados “com muita frequência”.

Um estudo da ONG Belun indicou que “muitos casos de abuso doméstico começaram com queixas das mulheres contra a decisão dos maridos ou filhos gastarem dinheiro em álcool em vez de necessidades familiares”.

Timor-Leste é o único país na região sem “idade mínima para beber ou comprar, restrições de venda de álcool ou limitações em anúncios relacionados com álcool”, disse a FM, que considerou essencial travar a “roda livre em relação ao álcool” no país.

Além da facilidade de acesso a álcool, a FM referiu que o fabrico tradicional de 'tua sabu' (um tipo de aguardente) e 'tua mutin' (vinho de palma) que “representa mais da metade de todo o consumo de álcool”.

“A FM está perturbada com esta falta de regulamentação e medidas de controlo do álcool no nosso país, principalmente porque a maioria dos timorenses não tem recursos para lidar com o impacto do álcool”, referiu.

Como exemplo, a FM indicou as comemorações do Dia de Todos os Santos (conhecido em Timor-Leste como Loron Matebian), no início de novembro, durante as quais foram registados “relatos frequentes e perturbadores de violência, principalmente em Maliana e Baucau”.

“Um dos feriados mais importantes de Timor-Leste, sagrado para os nossos antepassados, está agora em risco de se tornar sinónimo não apenas da família, mas também da violência”, sublinhou a FM.

“Loron Matebian deve honrar os nossos mortos, não aumentar a contagem de corpos. E agora, quando entramos em dezembro e olhamos para as próximas férias, a FM teme que a alegria do mês seja interrompida por mais derramamento de sangue”, acrescentou a ONG.

Uma violência que atribuiu “aos grupos de artes marciais alimentados pelo álcool”.

Lusa


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