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Fretilin vota contra novo Orçamento se não responder a necessidades do país

06 de Dezembro de 2019, 20:21

O líder do maior partido da oposição disse hoje que a Fretilin votará contra a nova proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020, independentemente do seu valor, se não responder às necessidades atuais.


“A Fretilin vota contra se o orçamento, mesmo que venha só com mil milhões, tiver uma estrutura que não convença a Fretilin”, afirmou o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri.

“O investimento na diversificação da economia é muito importante e tem que acontecer agora e é fundamental investir na qualidade dos recursos humanos, na educação, na formação e na saúde”, disse ainda.

Em vez de “pensar na economia de cima para baixo, temos que começar a pensar em desenvolver a economia de baixo para cima”, acrescentou.

Alkatiri falava à Lusa numa altura em que o Governo está a reformular a sua proposta de OGE para 2020, com mudanças tanto no valor como no conteúdo, depois de o primeiro-ministro retirar a proposta inicial no segundo dia do debate na generalidade.

“A orientação que dei foi de deixar que [as bancadas do Governo] revelassem o desentendimento entre eles e que a Fretilin deveria evitar entrar no debate de forma muito forte”, afirmou.

O Governo deverá cortar o teto de gasto de 1,95 mil milhões de dólares para cerca de 1,6 mil milhões de dólares, com a proposta inicial a ser retirada por Taur Matan Ruak para acomodar as preocupações levantadas ao texto, incluindo as bancadas do executivo.

“O Governo aceita retirar o OGE e promete ajustar o texto para acomodar as preocupações dos distintos deputados e para o voltar a apresentar para discussão atempada”, afirmou Taur Matan Ruak.

Durante o debate, o primeiro-ministro notou que, pela primeira vez, foram os deputados dos partidos da coligação do Governo que se mostraram mais críticos e "agressivos" sobre a proposta de OGE.

“É uma diferença grande. Normalmente quando se discute o OGE as bancadas que sustentam o Governo defendem a proposta do Governo e a oposição critica”, disse Taur Matan Ruak, numa intervenção no parlamento.

“Mas agora, são os próprios deputados que sustentam o Governo que se mostram agressivos. Se calhar é uma oportunidade de fortalecer a democracia”, afirmou.

Alkatiri considera o que ocorreu no parlamento “um caso 'sui generis'” que deixou “bem visível” que o Governo não conta com um apoio de uma maioria parlamentar, algo que diz que esperava porque a coligação do Governo é “uma aliança contra-natura”.

O líder da Fretilin diz que a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) – formada pelo Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão, o Partido Libertação Popular (PLP), do atual primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), de José Naimori – é “contranatura”.

Alkatiri disse que a primeira versão da AMP, que governou a partir de 2007, era formada por partidos “subordinados” a Xanana Gusmão, o que agora “não ocorre aqui”.

Afirmando que o atual primeiro-ministro “chegou ao limite”, Alkatiri diz, porém, que não quer eleições agora, especialmente porque sustenta que a Fretilin está ainda a trabalhar para se preparar para o próximo voto.

“Estamos a trabalhar muito profundamente para ganhar as eleições. Para mim não me interesse ir às urnas. Não temos medo, mas não me interessa porque estamos a reajustar as nossas estruturas e a rejuvenescer culturalmente a própria Fretilin”, disse.

Lusa

 


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