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Ramos-Horta tece críticas ao Governo por situação do setor aéreo

18 de Dezembro de 2019, 19:51

O ex-Presidente da República José Ramos-Horta teceu hoje críticas ao Governo, especialmente ao Ministério dos Transportes, pelos problemas que o setor da aviação em Timor-Leste continua a enfrentar.


Em mensagens divulgadas no Facebook, José Ramos-Horrta acusa o ministério de falta de coragem e os seus responsáveis de mostrarem “provincianismo”, em particular por continuarem a permitir o monopólio do grupo indonésio Garuda, na ligação entre Díli e Bali.

“Quando é que o Ministério de Transportes e Comunicações vai revelar coragem na defesa dos interesses de Timor-Leste e cancela os direitos de voo Bali-Díli à companhia aérea Sriwijaya, subsidiaria da Garuda”, questiona, numa das mensagens.

“Esta companhia aérea detém o monopólio, ilegal, das licenças de voo para Timor-Leste, licenças emitidas pelos ‘brilhantes’ senhores do ‘nosso’ Ministério de Transportes e Comunicações. Há outras companhias de aviação indonésias credíveis que estão interessadas a fazer esta rota lucrativa”, refere.

Os comentários de Ramos-Horta surgem na sequência de notícias da Lusa de que dezenas de passageiros foram afetados esta semana por problemas com as ligações aéreas da companhia indonésia Sriwijaya entre Díli e Bali, condicionando ligações para outros destinos e os planos de férias de Natal.

O voo de segunda-feira foi cancelado e o de terça-feira chegou a Díli com várias horas de atraso.

“A Sriwijaya não deveria sequer operar por razões de segurança. O próprio responsável de manutenção e segurança da companhia, em relatório interno, alertou para a gravidade do estado de manutenção da frota de Sriwijaya”, escreve Ramos-Horta.

“O Ministério de Transportes e Comunicações de TL é corresponsável por esta situação por ter emitido permissão de voos para Timor-Leste a uma das piores companhias do mundo”, refere.

Os preços elevados das viagens de e para Timor-Leste são igualmente criticados.

“Alguém no Governo está em conluio com a Garuda, sendo cúmplices no monopólio e roubo descarado perpetrado pelo grupo. Os passageiros deviam todos denunciar esta rapina junto das instituições de aviação internacionais”, refere Horta.

“E denunciem a cumplicidade e incompetência do Ministério de Transportes e Comunicações de Timor-Leste que nada faz para defender os interesses dos passageiros e do Estado timorense”, considera ainda.

Em vários ‘posts’ e comentários, Ramos-horta diz que o Governo continua sem adotar opções “para resolver em definitivo os desafios da conectividade aérea” de Timor-Leste.

“É obvio que os atuais funcionários do Ministério que estão aí há mais de 10 anos ou não têm formação técnico-profissional ou têm interesses não legítimos que os comprometem”, escreve.

“É totalmente incompreensível como quase 20 anos depois nenhuma entidade pública timorense responsável por este setor estratégico tenha apresentado uma estratégia e planos concretos para assegurar a total conectividade aérea com a região”, refere Ramos-Horta.

Para o ex-Presidente, o facto de não haver solução para este problema e igualmente para modernização ou melhorias do aeroporto internacional de Díli – onde voos noturnos, por exemplo, continuam a não ser possíveis – “só revela o provincianismo dos governantes”.

“A conectividade aérea de Timor-Leste enquanto meia ilha e Estado soberano deve ser considerada uma matéria de Segurança Nacional com o mesmo nível de defesa, segurança e diplomacia”, sustenta.

Lusa

 


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