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CNRT reúne-se com PR para analisar crise política

23 de Janeiro de 2020, 17:24

Uma delegação do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) transmitiu hoje ao Presidente de Timor-Leste a disponibilidade para ajudar a encontrar uma solução para a crise política no país.


“Agradecemos ao senhor Presidente ter convidado o CNRT. Estou honrado de vir aqui falar depois do chumbo ao orçamento. Temos que falar todos e ouvir a orientação do Presidente”, disse Francisco Kalbuadi, secretário-geral do partido aos jornalistas depois do encontro.

“Falámos com o senhor Presidente que começa hoje um processo de audição dos partidos e da sociedade civil, confissões religiosas para encontrar uma solução a situação. Manifestamos toda a nossa vontade, seguindo a orientação do presidente [do CNRT, Xanana Gusmão]”, disse.

A delegação entregou ao chefe de Estado, Francisco Guterres Lu-Olo, uma carta de Xanana Gusmão relativamente à situação, cujo conteúdo não foi divulgado.

“A posição do presidente [do CNRT] foi apresentada por escrito. Entreguei essa carta ao senhor Presidente da República”, disse.

Kalbuadi invocou o artigo 74 da constituição que se refere às competências do Presidente da República como “símbolo e garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas”.

Questionado sobre o que estava em causa, Kalbuadi disse que “ninguém falou em novo Governo” e que há que aguardar a conclusão do processo de audição a todas as forças do país, procurando encontrar uma solução.

Ainda assim insistiu que o objetivo é encontrar uma solução que garanta a “paz e a estabilidade nacional”.

Sobre o estado da coligação do Governo, a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), Kalbuadi não comentou a declaração do primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, de que a coligação “já não existe” depois dos deputados do CNRT se terem abstido e votado contra o Orçamento Geral do Estado (OGE), o que levou ao seu chumbo na passada sexta-feira.

Sobre o futuro da AMP disse que as decisões são tomadas com diálogo entre os três partidos que a integram – CNRT, o Partido Libertação Popular (PLP) de Taur Matan Ruak e o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) – e as decisões a serem tomadas em conferência nacional.

Kalbuadi não precisou quando haverá a próxima conferência da AMP, explicando apenas que “há que aguardar” as audições do chefe de Estado.

Lu-Olo convocou um conjunto de encontros com os partidos com assento parlamentar, juristas, ex-combatentes, sociedade civil e confissões religiosas, num processo que termina a 04 de fevereiro com a convocatória do Conselho de Estado.

Hoje decorre ainda a reunião de Lu-Olo com uma delegação do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), terceiro partido da AMP, e com dirigentes dos partidos mais pequenos no parlamento, a União Democrática Timorense (UDT) e Frente Mudança (FM).

Na sexta-feira está previsto o encontro com a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), maior partido com assento parlamentar, atualmente na oposição.

Lusa

 


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