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Fretilin rejeita eleições antecipadas e precipitação no fim do Governo

24 de Janeiro de 2020, 19:16

A Fretilin, maior partido com assento parlamentar, disse hoje que não deve haver precipitação em “por fim à vida” do atual Governo, defendendo entendimentos alargados e rejeitando a opção de eleições antecipadas.


Mari Alkatiri deixou essa posição vincada no encontro que uma delegação do seu partido manteve hoje com o Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, no quadro de consultas às forças políticas sobre a crise causada pelo chumbo do Orçamento Geral do Estado (OGE).

“Terminar o Governo depende do Presidente e do quadro constitucional. Mas considero que não deve haver precipitação em pôr fim à vida deste Governo para não criar vazio no poder”, disse Alkatiri, em declarações à Lusa depois do encontro.

“Precisamos de construir entendimentos e precisamos de algum tempo para os construir”, sublinhou, notando que a sua interpretação é de que o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, tinha posto o seu lugar à disposição do chefe de Estado.

Alkatiri rejeitou a ideia de novas eleições antecipadas, e questionado sobre o impacto de protelar a atual situação, o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) disse que uma votação poderia não ter os resultados esperados.

“O impacto de uma eleição antecipada é pior. É incerta a constelação política que daí vai surgir, gasta-se dinheiro e não se sabe o que virá”, afirmou.

Sobre as propostas e a mensagem que endereçou a Lu-Olo, Alkatiri disse que “essa mensagem ficou com o Presidente”, sem querer elaborar.

Agora, disse, cabe ao “Presidente continuar a tomar as suas iniciativas”.

“Não estou a dizer que o Governo deve governar até ao fim do seu mandato. Esse mandato já não existe porque veio de uma legitimidade de uma coligação que o próprio primeiro-ministro diz que já não existe e de uma maioria que já não existe”, considerou.

“Eu penso que o primeiro-ministro pôs o seu lugar à disposição do Presidente, mas deve por o lugar à disposição da coligação”, referiu.

O OGE foi chumbado com a abstenção e votos contra de deputados do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), a maior força política da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), que venceu as eleições de 2018 com maioria absoluta.

Alkatiri disse que não tem pressa para ultrapassar a situação atual, mas defende que tudo deve ser feito “no quadro constitucional”.

As audições aos partidos e à sociedade civil continuam na próxima semana.

Lusa

 


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