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Ações da Baron Oil sobem após anúncio de potenciais do poço Chuditch-1 no Mar de Timor

07 de Fevereiro de 2020, 19:57

As ações da petrolífera Baron Oil no Reino Unido aumentaram 400% na última semana depois de a empresa confirmar potenciais acima do previsto no poço Chuditch-1 localizado no Mar de Timor.


A reação dos investidores surge depois de a empresa ter divulgado relatórios preparados pela Shell Australia que referiam a potencial existência de uma coluna de 25 metros de gás com estimativas de 2.320 milhões de pés cúbicos de gás.

Malcolm Butler, responsável da Baron Oil, disse que os dados históricos recolhidos pela Shell mostram o potencial do poço, confirmando que a empresa tem previsto investir no projeto que está a desenvolver no âmbito do consórcio SundaGas TLS, onde detém 25% de participação indireta.

“A informação do relatório da Shell dá indicações claras do potencial significativo de hidrocarbonetos no âmbito do contrato de partilha de produção (PSC) e esse é o motivo porque a Baron continua a manter os seus direitos de investimento desde 2014”, referiu.

Segundo explicou, “agora que o Chuditch PSC foi confirmado, o programa de trabalho nos próximos anos está desenhado para definir de forma mais clara a dimensão e os potenciais de outros poços possíveis próximos”.

Desde o inicio da semana as ações subiram 400% na bolsa inglesa.

Butler recordou as mudanças que ocorreram em Timor-Leste nos últimos anos, especialmente a ratificação do novo Tratado de Fronteiras Marítimas com a Austrália, no ano passado.

“Além disso, os mercados de gás cresceram significativamente na Ásia Pacífico e na região do Mar de Timor, infraestruturas associadas a unidades de GNL foram estabelecidas”, afirmou aos jornalistas, segundo a imprensa financeira.

Em novembro do ano passado o regulador petrolífero timorense revelou que o campo Chuditch, a ser desenvolvido numa parceira entre Timor-Leste e a SundaGas, poderá representar receitas de mil milhões de dólares.

“As estimativas é de que o projeto terá receitas de mil milhões de dólares, sujeitos a flutuação”, apontou na altura à Lusa o presidente da Autoridade Nacional do Petróleo e Minerais (ANPM), Gualdino da Silva.

E frisou: “Temos ao lado uma estrutura que queremos testar e que, se nos permitir chegar a 1,2 ou 1,3 TCF [toneladas de pés cúbicos, na sigla em inglês] tornará o projeto ainda mais viável economicamente”.

Gualdino da Silva falava à Lusa depois de a petrolífera TimorGap, a ANPM e a petrolífera SundaGas, com sede em Singapura, assinarem um contrato de partilha de produção para exploração de reservas de gás no Mar de Timor, em concreto no campo TL-SO-19-16, conhecido como Chuditch.

O presidente da ANPM explicou que nos primeiros dois anos, em que a Timor Gap não fará qualquer investimento, a SundaGas vai “processar dados sísmicos e refazer os mapas” da estrutura decidindo depois se perfurarão também nessa zona.

“Há um interesse renovado no Mar de Timor depois da entrada em vigor do tratado de fronteiras marítimas entre Timor-Leste e a Austrália”, adiantou.

No caso do campo - uma zona de 357 quilómetros quadrados no limite sudeste do que era a antiga zona conjunta australiano-timorense de desenvolvimento petrolífero, agora águas timorenses -, as negociações começaram antes da ratificação do tratado.

“A empresa estava muito interessada em assinar um contrato com Timor-Leste depois da entrada em vigor do tratado. Com o tratado ratificado, concluímos a negociação e podemos avançar”, afirmou.

Gualdino da Silva salientou que é igualmente positivo o facto de o United Overseas Bank, com sede em Singapura, ter “dado o seu acordo para apoiar financeiramente este projeto”.

“É importante ter uma empresa registada na ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático] e ter as garantias de um banco da ASEAN. Isto é muito significativo”, notou.

Relativamente ao negócio em si, o responsável da ANPM explicou que o acordo prevê a formação de consórcio com 75% para a SundaGas e 25% para uma subsidiária da Timor Gap, a Chuditch Unipessoal.

Uma partilha, explicou, que estava acordada previamente e que seguiu precedentes idênticos de outros PSC no Mar de Timor, com a SundaGas a “assumir o risco associado”.

Ainda assim, frisou, as receitas para Timor-Leste são maiores, já que o Estado recebe “40% dos lucros” – valor que “irá diretamente para o Fundo Petrolífero” – com a TimorGap a receber 25% dos restantes 60%.

Na primeira fase da exploração, a TimorGap não terá de fazer qualquer investimento.

Butler, responsável da SundaGas, saudou a assinatura do PSC, afirmando que a primeira prioridade “será melhorar o conhecimento detalhado do significado dos recursos de gás do Chuditch e identificar que poço será primeiro”.

“Faremos isso em paralelo a outras análises de prospeção, criando depois um portfolio completo de perfuração”, explicou.

Lusa

 


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