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Ramos-Horta “cautelosamente otimista” da resolução da crise no país este mês

10 de Fevereiro de 2020, 19:39

O ex-Presidente José Ramos-Horta mostrou-se hoje cautelosamente otimista sobre a possibilidade de, ainda este mês, os partidos com assento parlamentar encontrarem uma solução para a crise no país causada pelo chumbo ao Orçamento Geral do Estado (OGE).


“Com cautela, com prudência, sem excesso de otimismo, espero uma solução ainda dentro deste mês”, afirmou Ramos-Horta em declarações à Lusa depois de participar num encontro promovido pelo Presidente Francisco Guterres Lu-Olo com líderes históricos do país.

Reunião que segundo explicou Lu-Olo aos jornalistas, concluiu que eleições antecipadas são o "ultimo recurso” para resolver a crise no país, que os partidos no parlamento devem encontrar uma solução e que, até lá, o primeiro-ministro Taur Matan Ruak continua em plenitude de funções.

“Agora, o PR vai incentivar os partidos a reunirem-se, a conversar para encontrar soluções no quadro ainda da atual legislatura”, explicou Ramos-Horta.

“Até agora os partidos têm estado cautelosos, com muita hesitação de se reunirem para não serem vistos, de um lado ou de outro, com desconfiança”, referiu.

Ramos-Horta diz que tem falado com dirigentes políticos nas últimas semanas, que vai continuar com esse diálogo para ajudar que os partidos “explorem todas as soluções possíveis”, quer assentes na atual coligação do Governo, a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) quer, “não sendo isto uma viabilidade, outra coligação” política.

“O importante é encontrar uma solução sem ter que recorrer a eleições antecipadas”, afirmou.

José Ramos-Horta disse à Lusa que o encontro decorreu num “ambiente construtivo, de muita contenção e vontade de encontrar uma solução o mais breve possível”, com os participantes a “revelarem sempre muito respeito” por Xanana Gusmão, convidado mas ausente da reunião.

Em particular, disse Ramos-Horta, o reconhecimento de que o ex-Presidente “está a gerir dossiers muito importantes para o Estado – as fronteiras terrestre e marítima e o projeto Tasi Mane”, associado ao setor petrolífero.

Questões, disse, em que Xanana Gusmão “precisa de todo o apoio de todos os líderes do país.

Ainda que se tenha lamentado a ausência de Xanana Gusmão, “ninguém fez grande questão de ele não ter comparecido” e este, referiu Ramos-Horta, “é um primeiro encontro”, podendo agora haver diálogo com o líder timorense.

“Vamos envidar esforços para partilhar com Xanana Gusmão a disponibilidade de todos e com ele encontrarmos uma solução o mais rápido possível, que respeite os interesses do país. Isto é: para garantir a estabilidade política e governativa e para fazer face aos desafios económicos e sociais e a segurança do Estado”, referiu.

Questionado sobre as críticas que Xanana Gusmão tem feito ao Presidente da República por se recusar a dar posse a quase uma dezena de membros do Governo, a maioria do CNRT, Ramos-Horta manifestou-se otimista de uma solução e um possível encontro.

“Não posso adiantar muito sobre essa questão, mas acredito que num encontro entre Xanana Gusmão e o Presidente da República esta questão pode ser esclarecida e resolvida”, disse.

Insistindo não haver dos participantes no encontro de hoje “qualquer hostilidade ou má vontade” face a Xanana Gusmão e ao seu partido, o CNRT, Ramos-Horta referiu que é essencial “ultrapassar as diferenças e as desconfianças”.

Lusa

 


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