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Presidente da República avisa que eleições antecipadas são último recurso para pôr fim à crise

10 de Fevereiro de 2020, 23:32

O Presidente da República considerou hoje que eleições antecipadas são o "ultimo recurso” para resolver a crise no país, apelando aos partidos com assento parlamentar a que encontrem uma solução.


Em declarações aos jornalistas no palácio presidencial, Francisco Guterres Lu-Olo disse também que o atual primeiro-ministro, Taur Matan-Ruak, se mantém na plenitude das suas funções até que a solução seja encontrada para a crise, provocada pelo chumbo do Orçamento Geral do Estado.

“A reunião chegou a algumas conclusões. Primeiro, que eleições antecipadas são o último recurso. Segundo que os partidos políticos com assento parlamentar têm, entre todos, de encontrar um movimento político para desenhar a sua opinião para encontrar uma solução para o impasse político”, afirmou.

“Em terceiro lugar, o senhor primeiro-ministro mantém-se como primeiro-ministro até haver uma solução para a situação ou impasse político”, disse Lu-Olo, afirmando que preconiza “a continuação do diálogo” para resolver a crise.

Lu-Olo falava depois de uma reunião de mais de seis horas, que convocou, com os líderes históricos nacionais e onde o ex-presidente Xanana Gusmão esteve ausente.

Xanana Gusmão tinha defendido numa entrevista no fim de semana que a solução mais “justa e democrata” para a crise era a realização de eleições antecipadas.

Francisco Guterres Lu-Olo convocou os principais líderes do país para um encontro no Palácio Presidencial em Díli, entre eles e além de Xanana Gusmão, o ex-Presidente José Ramos-Horta, o ex-chefe de Estado e atual primeiro-ministro Taur Matan Ruak, o ex-chefe do executivo Mari Alkatiri e o comandante das forças de defesa, Lere Anan Timur.

O chefe de Estado falava aos jornalistas à frente dos líderes nacionais que participaram no encontro de hoje, promovido depois de extensas consultas a partidos políticos com assento parlamentar, organizações religiosas e à sociedade civil.

Diálogos para ouvir “os vários pontos de vista sobre a situação que o país atravessa” e que devem ser o caminho para solucionar a crise.

“Há uma solução política intermedia. E todos os políticos, incluindo os líderes nacionais, estão conscientes da gravidade da situação atual e penso que os partidos políticos com assento parlamentar devem todos pensar como vamos encontrar uma solução política intermediária, o mais razoável possível para ultrapassar esta situação”, afirmou.

“Ainda temos tempo para falarmos mais e encontrar uma solução”, considerou.

Insistindo numa “solução política” para a crise, Lu-Olo disse que há mecanismos constitucionais disponíveis, mas que prefere uma solução política.

Sobre a declaração de Xanana Gusmão a favor de eleições antecipadas, Lu-Olo lamentou que o ex-Presidente não tivesse estado na reunião.

“Gostaria que estivesse hoje nesse encontro e poderíamos solucionar melhor as coisas e chegar definitivamente a um acordo”, disse, afirmando que “arrastar a situação continua a causar danos ao povo”.

O chefe de Estado recordou o chumbo ao Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020 – devido aos votos contra e de abstenção dos deputados da bancada do CNRT, partido de Xanana Gusmão e o maior da coligação do Governo.

Uma situação que tem “consequências sociais e económicas” e que obriga os “líderes deste país a buscar rapidamente uma solução para por fim” à crise política.

Questionado sobre a legitimidade de Taur Matan Ruak enquanto primeiro-ministro - depois do próprio e Xanana Gusmão considerarem que a coligação do Governo “já não existe” - o chefe de Estado insistiu no diálogo.

“Preconizo na mesma o diálogo como forma de solução e mantendo-se Taur Matan Ruak como primeiro-ministro. Ainda não apresentou demissão, não apresentou a demissão formalmente”, disse.

Lusa

 


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