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Governo assina contrato de exploração de mármore com empresa chinesa

14 de Fevereiro de 2020, 20:04

O Governo assinou hoje um contrato de exploração dos recursos de mármore na região de Manatuto, a leste de Díli, com a empresa chinesa EMG Group, uma das principais empresas do setor no mundo.


O acordo tripartido entre a empresa, Ministério do Petróleo e Recursos Minerais e a a Autoridade Nacional de Petróleo e Minerais (ANPM), centra-se nos recursos de mármore situados na região de Laclo, no município de Manatuto, a leste de Díli.

O presidente da ANPM, Gualdino da Silva, explicou à Lusa que o contrato assinado abrange os direitos de exploração e que, depois de um período estimado de 18 meses, e confirmada a viabilidade comercial e técnica, será feito um novo acordo comercial com o Estado.

“Nós temos uma estimativa dos recursos, das milhões de toneladas de mármore, mas agora temos que refinar essa estimativa robusta e entender melhor a qualidade, olhando para as cores, força e outras características física para os quais o mercado olha”, friosu.

“O mármore tem a ver com apetites e por isso é importante que nos próximos 18 meses possam determinar com exatidão os recursos e concluir um estudo de viabilidade”, referiu.

O posterior acordo com o Estado deverá ser de partilha, com uma divisão de 60-40 favorável ao grupo chinês nos primeiros 25 anos e de 55-45 favorável ao Estado nos 25 anos seguintes.

“Prevê-se ainda que o processamento seja feito aqui, em Timor-Leste, tanto em termos dos blocos, como das peças e dos azulejos. Isso permitirá também que Timor-Leste beneficie da cadeia de valor e do componente industrial”, explicou.

Mariano dos Santos, representante do EMG Group, disse que a empresa está empenhada em criar emprego e ajudar ao desenvolvimento da economia local, potencializando os recursos minerais de Timor-Leste, neste caso de mármore.

A empresa tem previsto um extenso programa de trabalho que inclui a construção de todas as estruturas necessárias à extração e exploração do mármore e ainda de uma escola vocacional.

A contratação de funcionários timorenses e a sua formação, explicou, estão entre os objetivos da empresa.

“O grupo pode contribuir para o desenvolvimento da economia nacional, levando o mármore de Timor-Leste ao mercado internacional, com potenciais a longo prazo”, referiu.

A cerimónia de assinatura do acordo tripartido – entre o Governo, a Autoridade Nacional de Petróleo e Minerais e o Governo timorense - decorreu hoje no Auditório Kay Rala Xanana Gusmão, no Ministério das Finanças, em Díli.

Intervindo na cerimónia de assinatura do contrato, Gualdino da Silva disse que o acordo de exploração é um passe importante no desenvolvimento dos potenciais de recursos minerais em Timor-Leste, setor em que o Governo está empenhado.

“A EMG é uma empresa internacional oriunda da China com uma ampla experiência no setor dos recursos minerais, começando pela exploração, desenvolvimento, extração e marketing. Uma cadeia completa de negócios não apenas na China mas em todo o mundo”, referiu.

O presidente do regulador explicou que o contrato prevê um calendário detalhado de atividades num acordo com “benefícios mútuos” onde o Estado beneficiará tanto da parceria comercial como das royalties e impostos.

“Há um compromisso de que a prioridade será dada à contratação local e que apenas teremos que importar trabalhadores de competências que não estejam disponíveis em Timor-Leste”, referiu.

“No caso do desenvolvimento avançar há também um compromisso de recorrer a fornecedores de bens e serviços locais.

O contrato abrange os recursos de mármore na região de Ilimanu (Laclo), a cerca de 36 quilómetros leste de Díli, que foram explorados nos anos 1990 durante a ocupação indonésia, com a mármore a ser retirada do país e processada e vendida na Indonésia.

Estima-se que permaneçam na zona mas de mil blocos de tamanhos diferentes, tendo residentes locais usado uma pequena quantidade desde 2002 para fabricar peças ornamentais, túmulos e outros produtos.

Lusa

 


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