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CNRT não participa em atividades do parlamento até haver decisão do tribunal

21 de Maio de 2020, 22:53

O Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) não vai participar em atividades parlamentares até que haja uma decisão do Tribunal de Recurso sobre a legalidade ou não da eleição do novo presidente do órgão, disse um responsável do partido.


“Apresentamos recurso sobre o que se passou ao Tribunal de Recurso e como esse recurso está ainda em processo, não vamos participar em atividades que o presidente ilegal organizar”, disse à Lusa o chefe da bancada do CNRT, Duarte Nunes.

“Ficamos a aguardar a decisão do Tribunal de Recurso e depois vemos”, explicou.

Duarte Nunes justificou assim o facto do partido, segunda força no parlamento, não ter participado na Conferência de Líderes das bancadas organizada hoje por Aniceto Guterres Lopes, eleito presidente na terça-feira numa jornada tensa no parlamento.

A eleição ocorreu no segundo de dois dias consecutivos de tensão sem precedentes no Parlamento Nacional, com agressões entre deputados, mesas derrubadas, gritos, empurrões e a intervenção de agentes policiais.

Os dois dias de tensão terminaram com a destituição de Arão Noé Amaral, do CNRT como presidente do Parlamento Nacional e da eleição de Aniceto Guterres Lopes como seu sucessor, por uma maioria de 40 dos 65 deputados.

Aniceto Guterres Lopes, da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), convocou para hoje uma conferência de líderes – a primeira em mais de três semanas – na qual não participaram o CNRT e dois outros partidos aliados, o PUDD e a FM/UDT.

“Foi uma eleição ilegal. E se nós já fizemos o recurso ao tribunal significa que temos que aguardar e respeitar essa decisão. Se metemos recursos e depois participamos nas atividades, estamos a meter água”, comentou Duarte Nunes.

Apesar de considerar as votações ilegais, Arão Noé Amaral esvaziou já o seu escritório e entregou os carros protocolares que estava a usar.

Duarte Nunes explicou que Arão Noé Amaral entregou os carros à Secção de Logística” para “não haver problemas com a propriedade do Estado”.

Recorde-se que as bancadas da maioria e os vice-presidentes do parlamento apresentaram queixas ao Ministério Público pela ação dos deputados do CNRT.

Lusa

 


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